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Há um circuito na F1 que anda comemorando os lucros

11 mar

Não vá se animando com o título do post. Ninguém achou a receita infalível para recuperar o dinheiro das cifras absurdas cobradas por Bernie Ecclestone pelo direito de sediar uma corrida de F1. Pelo menos para os organizadores – dependendo da localização do circuito, a cidade lucra com o evento – esta continua sendo uma tarefa inglória.

Mas o exemplo de Silverstone é importante para os países que têm tradição no esporte, mas não conseguem concorrer diretamente com o caminhão de dinheiro dos emergentes que vêm tomando o calendário. O circuito é de propriedade do Clube de Pilotos Britânicos e precisa encontrar na iniciativa privada e na própria receita recursos para se sustentar.

É claro que esse modelo foi o que quase tirou o GP da Inglaterra da antiga base aérea da 2ª Guerra Mundial, mas o excesso de ganância do projeto de reconstrução de Donington Park e uma inteligente contra-proposta deixaram Ecclestone sem escolha.

Com um projeto de modernização, que inclui a construção de um novo paddock e a transferência da reta dos boxes para o local entre as curvas Club e Abbey, serão investidos US$ 47 milhões (US$ 64 no total, incluindo as alterações já feitas na pista). Uma barganha se comparado aos planos de gastar quase US$ 220 milhões na renovação de Donington. A intenção é que a obra diminua a diferença da estrutura do velho Silverstone em relação às obras faraônicas do Oriente. Depois de muita resistência, a pressão de Ecclestone, que fez um verdadeiro leilão, ameaçando o futuro do GP que marcou o início da F1 em 1950, fez os administradores botarem a mão no bolso. Isso sem qualquer ajuda governamental.

Novo paddock deve ficar pronto em maio

Mas Silverstone tem lenha para queimar. O circuito movimenta ao menos US$ 75 milhões ao ano – tem crescido a um ritmo de 14%/ano de 2007 para cá – e teve um lucro de US$ 3,24 milhões em 2010.

Há vários motivos para o sucesso na gestão do circuito. Especula-se que o contrato para a realização do GP da Inglaterra, fechado em dezembro de 2009, renda cerca de US$ 20 milhões aos cofres da FOM, sendo que o valor é aumentado em pelo menos 5% a cada ano. Apesar de ainda ser uma quantia considerável, é pouco se comparado ao que países menos tradicionais pagam. Afinal, um circuito inglês tem mais poder de barganha que um coreano, por exemplo, pois há muito mais investimento vindo de nações como Inglaterra, Itália e, nos dias de hoje, Espanha, que de qualquer outro lugar.

Mesmo assim, eventos em outros locais tradicionais têm passado por dificuldades. O presidente da Catalunha reclamou dos prejuízos, Spa e Hockenhein também andam perdendo dinheiro, e a França sequer tem um GP. Qual seria o segredo dos ingleses?

Uma explicação plausível, comprovada pelo fato do aumento do dinheiro movimentado nos últimos 4 anos, é o sucesso de Lewis Hamilton e o ressurgimento de Jenson Button. A Inglaterra ficou 12 anos sem ter um campeão do mundo e emplacou logo dois seguidos. Na esteira do sucesso na categoria máxima, o fato de ambos serem cria do automobilismo local faz crescer o interesse pelo esporte em geral.

Com isso, outro diferencial de Silverstone é sua alta rotatividade durante o ano, uma vez que a cultura do esporte a motor na Inglaterra, não somente da F1, é muito forte. Mesmo as categorias de base atraem um ótimo público. No total, o circuito recebe nada menos que 1 milhão de pessoas por ano.

Depois da corrida, tudo acaba em música em Silverstone, com a participação de pilotos e "músicos" ligados ao circo

Assim como construções para Jogos Olímpicos e Copas do Mundo, muitos dos circuitos novos ficam às moscas durante boa parte do ano. Isso, porque são pensados exclusivamente para atender às demandas da F1, quando poderiam ser utilizados até para outros tipos de eventos, não necessariamente automobilísticos. Mas como atrair público para qualquer coisa que aconteça no meio do nada, no caso de pistas como Abu Dhabi, Istambul Park e Shanghai?

Ao menos no Brasil, Interlagos é localizado numa área urbana e vem sendo utilizado para eventos extra-F1. O quanto São Paulo paga à FOM pelo direito de organizar a prova é segredo de Estado, mas não ouvimos reclamações da prefeitura, mesmo sendo ela quem arca com os custos das reformas, que consomem entre R$ 15 e 20 milhões ao ano. Ainda assim, a estrutura do circuito há tempos não comporta a F1 de hoje e a promessa é de que um novo paddock será feito. Talvez não nos moldes de Silverstone – quem sabe no dia em que o circuito atrair 1 milhão de pessoas por ano! – porém, ficar parado, da maneira como os ingleses fizeram por anos, esperando que a tradição lhes salvasse, não é uma opção.

Inglaterra – corrida: simplesmente desproporcional

18 jul

A transmissão da BBC começa de maneira bem familiar aos brasileiros: “em lugar nenhum do mundo se tem uma torcida como essa”, vibram os ingleses com a manutenção da prova em Silverstone. Em meio à decepção com a performance da McLaren, se voltam para a confusão das asas da Red Bull. “Espero muita briga entre esses dois. Acho que a empresa gasta muito dinheiro na F1 e tem o direito de dar o melhor equipamento para quem bem entender, mas a situação é estranha e desperta o sentimento de favoritismo”, o comentarista Martin Brundle é educado. “É a hora deles pararem de perder oportunidades e começarem a fazer valer sua superioridade”, completa Luciano Burti, na Globo. Na La Sexta, os espanhóis só têm olhos para Alonso. “Ele sabe que precisa de bons resultados nessas 3 corridas para começar a virada”, aponta o narrador Antonio Lobato.

A preocupação espanhola só aumenta quando seu ídolo larga mal – ou o carro larga mal, como eles preferem dizer. Contudo, a luta que realmente importa é entre as Red Bull e Hamilton. O inglês fura o pneu do alemão, que quase é ultrapassado pelo carro médico no caminho de volta aos pits, para deleite dos ingleses. “É impressionante como Hamilton consegue andar no ritmo de Webber”, comemora Brundle. Os espanhóis se perguntam, ironicamente, porque não aparece o replay que “incrimina” Lewis. “Vettel vai se arrepender de ter jogado tudo na 1ª curva”, aponta Brundle.

Sutilezas entre companheiros de equipe 1

Os espanhóis demoram umas 10 voltas para parar de falar na largada. “Vimos nas outras categorias que os que largavam do lado sujo se deram melhor”, defende o comentarista Marc Gené, que destaca – que pulou de 14º a 8º – e de Kubica – de 6º a 3º –, ambos vindos do lado sujo.

Na Globo, depois de 15 voltas, finalmente vem a explicação da ausência de Bruno Senna. “Ele levou uma espécie de castigo da equipe”, informa Reginaldo Leme. “Castigo que veio em boa hora, pois o time precisava de dinheiro”, completa a repórter Mariana Becker.

Os primeiros carros começam a trocar pneus e os espanhóis estão preocupados com o ritmo de Rosberg, que não parou. Alonso, com borracha nova, está preso atrás de Kubica e precisa andar rápido para não perder terreno para o alemão e para Button. “A corrida de Fernando, desde a largada, foi prejudicada por Kubica”, diz Gené. Ele nem sabia o que estaria por vir.

Na volta 17, o espanhol passa o polonês cortando a chicane. “Vai ter que devolver”, é a reação imediata de Lobato. “Mas ele não deu opção”, revida Gené. “Ai, ai, ai. Não gosto nada disso”, responde o narrador. Na Globo, Reginaldo e Burti estão com o piloto de testes da Ferrari. “Dá até pra falar que ele cortou caminho, mas Kubica jogou-o para fora”, defende o ex-piloto de F1, “Ele não tinha o que fazer”, aponta o comentarista. “O fato de Kubica tê-lo jogado para fora complica a decisão”, o narrador da BBC, Jonathan Legard, fica em cima do muro.

Três voltas depois, o piloto da Renault abandona. “Acho que isso resolve o problema de Alonso”, acredita Brundle. Os espanhóis não querem comemorar antes da hora, mesmo com as palavras de Kubica, que, entrevistado por eles e pela BBC, diz que considera o caso encerrado, já que não está mais na corrida. “Tenho muitas memórias ruins. Não gosto quando a decisão está nas mãos do diretor de prova”, Lobato começa o chororô.

Ele tem razão. Sai a punição e, para piorar, o Safety Car. A palavra mais repetida nas transmissões dos 3 países é ‘desproporcional’. Mesmo que os ingleses se divirtam um pouco às custas do espanhol: “Queria ouvir o rádio da equipe contando pra ele”, ri Brundle. “Se fosse para punir, mandasse devolver a posição na hora, dar um drive through é muita coisa”, diz Reginaldo. “É muito duro por parte dos comissários, porque Fernando não tem culpa que Kubica parou”, defende David Coulthard. “Não é justo. Eles falam tanto em ultrapassagens e, quando alguém tenta, é punido”, afirma Burti.

Os espanhóis têm sua explicação para isso: ultrapassar só é permitido a um piloto. “Hamilton faz coisas absurdas e só lhe dão advertências, enquanto qualquer um que faz algo discutível é punido na hora”, desabafa o campeão de Rali Carlos Sainz que, no momento da decisão, disse que “não falaria nada para não perder a licença de comentarista”. A lembrança de Valência é inevitável. “É ainda mais indignante”, acha Gené. “Fernando está pagando pelo que disse há duas semanas”, acusa Sainz. “Em Valência, quando saiu a penalização de Hamilton, havia 2 garrafas na pista e não chamaram o Safety Car. Agora, por muito menos, ele entrou bem na hora de Fernando servir o penalty”, Lobato alimenta as teorias da conspiração. “E quando Sutil destrói a asa traseira de De la Rosa por um erro de cálculo grave, é incidente de corrida”, Sainz está indignado.

E assim segue a transmissão da La Sexta, em tom de revolta, mesclada com uma pausa para tirar um sarro de Massa. “Corrida desastrosa de Massa”, aponta Sainz. “Como sua classificação”, completa Lobato. “Como explicar levar 7 décimos do companheiro? Com isso fica difícil saber o real desempenho da Ferrari e ele nem ajuda Fernando se colocando entre os rivais pelo título.” “Vimos na primeira volta o tipo de colaboração que ele está disposto a dar”, completa o campeão do Dacar 2010. “Bem estreita”. Burti viu o toque dos ferraristas no início da prova como incidente de corrida. “Gosto quando vejo companheiros de equipe lutando como pilotos de corrida.”

Sutilezas entre companheiros de equipe 2

Na Globo, Luis Roberto acha “que a ‘parada’ de Alonso vai ser torcer para a Espanha na final da Copa”. Reginaldo crê que a Ferrari tem todo direito em reclamar e Brundle acredita que o time italiano esteja pagando pecados passados. “Diziam que a FIA era a Ferrari International Assistance e agora eles estão sendo punidos com veemência. Não estou dizendo que isso está certo também… Se eu fosse Alonso parava e guardava esse motor, porque eles estão críticos nesse setor”.

Quem não está poupando nada é Vettel, de volta à corrida depois do Safety Car. “Isso é para quem fala que ele não sabe ultrapassar”, diz Legard. “Será que seu pneu vai aguentar?”, Reginaldo tenta dar ânimo para a fase final da prova.

Lá na frente, poucas notícias. Webber fez volta rápida logo que o Safety Car saiu, ainda com pneus frios, mostrando que tinha cartas de sobra na manga. E Button, segundo informações da BBC, não podia ultrapassar Rosberg porque tinha que economizar combustível – a McLaren, aliás, parece estar jogando forte nessa área para ser mais competitiva na corrida.

Mas a manchete do GP da Inglaterra veio só depois da bandeirada, com o “nada mal para um 2º piloto” de Webber no rádio. “Muito bem!”, apoia Gené. “Ele vai discutir quem vai ser o 1ª piloto da equipe agora”, aponta Brundle. Mas era uma bola que Reginaldo Leme cantou na 23ª volta. “Vamos ver o que vão falar agora, porque com esse resultado Webber fica na frente de Vettel no campeonato. Vettel não se conforma em ficar atrás de Webber. Se ele tivesse ficado em 2º, como tem preferência na equipe, poderia se manter à frente, mas nem pensou nisso.”

FIA x Ferrari: round 2

16 jul

A punição de Fernando Alonso no GP da Inglaterra ainda dá o que falar. Depois do diretor de prova, Charlie Whiting, dizer que avisou três vezes a Ferrari que o espanhol deveria devolver a posição a Kubica por ter tido vantagem sobre o polonês, dando a entender, ou o piloto, ou a equipe, desafiaram a FIA, os italianos responderam por meio da jornal Gazetta dello Sport.

A matéria mostra uma linha do tempo dos acontecimentos, desde a ultrapassagem, às 13:31:05 no horário local.

13:31:06 – O diretor esportivo Massimo Rivola liga para os comissários. Depois de 11s, Whiting atende. Rivola pergunta se eles haviam visto a ultrapassagem e diz que a opinião da Ferrari é que Kubica não deu outra alternativa a Alonso. Whiting responde que tem que ver as imagens.

13:33:00 – Outra ligação da Ferrari. Alonso já se aproxima de Alguersuari. Whiting responde que os comissários acham que o espanhol deve devolver a posição. Rivola pergunta se essa é sua decisão final, e o diretor de prova responde que não, mas é a conclusão à qual eles estão chegando. Enquanto isso, Alonso passa Alguersuari.

13:33:22 – Barrichello passa Kubica. Whiting diz à Ferrari: “demos a chance para vocês devolverem a posição. Agora os comissários vão ouvir os pilotos depois da prova, mas entendo sua posição.”

13:35:30 – Kubica abandona.

13:45:31 – A mensagem de que Alonso está sob investigação aparece no monitor.

13:46:26 – Alonso recebe o drive through.

Convenhamos, mesmo que a Ferrari esteja maquiando um pouco os fatos, aquela história de Whiting parecia muito mal contada. Por que eles simplesmente peitariam os comissários sem mais nem menos?

Outro ponto é que algo parece tê-los feito mudar de ideia, pois o incidente seria investigado depois da corrida. E provavelmente não resultaria em nada, já que Kubica, logo depois de abandonar, disse na BBC que, como estava fora da prova, considerava o caso encerrado. Mas a punição veio, completamente desproporcional à infração.

O fato é que essa regra, que tem mais a ver com “ultrapassar com as 4 rodas fora da linha branca” que delimita a pista do que propriamente cortar uma chicane, já deu muita confusão. O próprio Alonso saiu ileso em Monza 2006, Schumacher escapou de punição depois passar reto mais de uma vez na chicane lutando com De la Rosa no mesmo ano, Massa (Mônaco 09) e Webber (Cingapura 09) acabaram perdendo mais de uma posição quando devolveram – e a FIA disse que o problema era deles.

O problema, na verdade, é que a regra pressupõe interpretação. Caso contrário, a bela ultrapassagem de Rosberg sobre Alguersuari também teria sido ilegal. E a interpretação na F1 é mais cruel que no futebol, por exemplo. Se o juiz interpretou uma mão na bola como uma bola na mão, o jogo segue. Ele não para depois de 15min e dá o pênalti.

Rosberg passa Alguersuari por fora da linha branca

Outra questão, mais nebulosa, recai sobre os verdadeiros critérios da FIA. Com Mosley no comando, a McLaren ficou paranoica com tanta punição, ao mesmo tempo em que a Ferrari parecia imune. Agora, com Todt, que saiu brigado da Scuderia, a história parece ter se invertido. Só isso para explicar tanta inconsistência.

Inglaterra – classificação: Ingleses resignados com a McLaren

15 jul

Ondulações à parte, todos estavam felizes em continuar em Silverstone depois de mais de um ano de incerteza. Com arquibancada lotada e uma parte nova, a “verdinha” para Luis Roberto, na Globo, os ingleses só não esperavam ver a McLaren tão atrás. “A F1 volta à casa do automobilismo britânico. A plateia espera uma ótima performance da McLaren, mas as atualizações que eles trouxeram não funcionaram e eles tiveram que voltar à configuração antiga”, o narrador Jonathan Legard começa a transmissão. “O carro deles é muito baixo e isso não deu certo junto do escapamento que joga os gases no difusor”, explica o comentarista Martin Brundle.

Falando em defender os seus, enquanto a Globo explica vagamente a ausência de Bruno Senna – “a equipe decidiu substituí-lo, mas ele volta na Alemanha”, se limita a dizer Luis Roberto, atitude semelhante à da BBC, ao passo que na La Sexta sequer tocam no assunto – os espanhóis vêem a transmissão focada em De la Rosa – “porque ele fez um milagre nos treinos livres, andou no mesmo décimo de Hamilton e Schumacher”, se anima o narrador Antonio Lobato.

Os ingleses estão até conformados com a mau rendimento de Button e não esperam que ele passe do Q2, mas não admitem que reclamem das ondulações de sua pista. Brundle avisa: “É só acertar o carro direito. Nenhuma pista é uma mesa de bilhar” e o comentarista da Globo, Luciano Burti, também tem sua receita. “O piloto vê onde tem a ondulação e evita virar o carro em cima dela.”

"Até esse carro tem mais aderência que o meu"

Problema de verdade, para Brundle e Marc Gené, comentarista da La Sexta, seria o vento, mas não o mesmo “ventinho camarada” de Luis Roberto, que Buemi recebe no rosto. É o que, segundo a BBC, atrapalha McLaren e Renault, carros mais sensíveis a mudanças de direção. Nesse ponto da transmissão, os espectadores ingleses já sabem sobre as diferentes asas dos carros da Red Bull, graças ao excelente repórter Ted Kravitz.

Os espanhóis se animam ao ver Alonso a 0.1s da Red Bull e o espanhol é apontado pela BBC como o único que pode enfrentar Webber e Vettel. Com o mesmo carro e, ao contrário do companheiro, de pneus moles no Q2, Massa nem chega perto. Na fase final da 2ª parte da classificação, os ingleses já começam a temer por ambas as McLaren. Enquanto isso, Liuzzi atrapalha Hulkenberg e arruína uma sólida possibilidade da Williams colocar os dois carros no Q3. “Merece punição. Não se faz isso”, acerta Burti.

Chega a hora da verdade e a tabela de tempos já mostra o óbvio: 1º, ninguém segura a Red Bull – “a não ser que se atrapalhem, vão ganhar fácil”, aponta Brundle –, 2º, Button, sem um carro perfeito, toma feio de Hamilton – “ele tem alguma coisa com Silverstone, nunca andou bem aqui”, diz Burti. E De la Rosa surpreende, para deleite espanhol. “Têm acontecido coisas estranhas com ele, mas chegou a hora da virada”, vibra Lobato.

Os ingleses buscam uma explicação para o desempenho de Button. David Coulthard comenta sua volta onboard e não encontra nenhum erro. “É só falta de confiança. Ele não tem aderência na traseira.” A conclusão é de que faltam testes, mas na verdade, o que eles não conseguem entender é como os grandes engenheiros da McLaren não conseguiram fazer o que os da Ferrari fizeram – e ainda por cima em menos tempo.

O Q3 começa e, assim como Cléber Machado na corrida passada, Legard se atrapalha com seu monitor que mostram quem vem fazendo tempo. “Massa está rápido, vem com todos setores roxos (mais rápidos da pista).” Sendo o 1º a fazer a volta, seria estranho se não estivesse. O brasileiro, aliás, continua seu calvário. Burti até tenta animar, torcendo para que ele melhore, sem ver que Massa já fez ambas as tentativas.

Os ingleses dão uma pitada de sua tradicional malhada em Alonso. “Um carro atrapalhou o final da volta dele e ele perdeu a cabeça, como em Valência”, diz Brundle, enquanto Gene revela que o asturiano não gosta da estratégia da Ferrari – que, de fato, pouco faz sentido – de classificar sem reabastecer, o que faz os vermelhos carregarem mais peso que os demais na 1ª tentativa e joga tudo para a 2ª.

O clima esquentou na Red Bull e Alonso não acredita no que ouve

Outro que nunca escapa das ironias britânicas é Schumacher, que, dessa vez, não escapa nem dos espanhóis. “Ele perdeu para o companheiro de novo, mas pelo menos ficou entre os 10”, solta Legard. “De la Rosa na frente de Michael! Muito bem! E Massa, com todo o respeito, muito mal”, completa Lobato.

Diferenças diplomáticas à parte, no final, outra vez Red Bull. Na BBC, o clima é de resignação. “Eles têm o controle de Silverstone. Não é a classificação que Button queria, mas vimos Kobayashi começar em 18º e andar em 3º”, lembra Legard, sem contextualizar. Na La Sexta, Lobato tenta a velha conversa ferrarista: “o carro rende mais em corrida”. “Não seria irreal ver Alonso em 2º na largada”, sonha Gené. Assim como na Globo, o telespectador espanhol sequer sonha que a equipe das latinhas está em ebulição interna, mas aqui o narrador acha que é Hamilton que está preocupado quando ele observa os tempos depois da pesagem. “Não teve estar concordando com o peso ou está convertendo de kg para pounds.” Haja coração.

Barrichello x Hulkenberg: botando as mangas de fora

13 jul
Rubens Barrichello Nico Hülkenberg
Posição na classificação 13º
Tempo da Classificação (Q2) 1′31.242 (-0.393) 1′31.635
Posição na corrida 10º
Tempo médio de volta 1′38.263 (-0.203) 1′38.466
Voltas 52/52 52/52
Pit stops 1 1

Confira a prova de Rubinho e Hulk volta a volta

Estreando os escapes no estilo Red Bull, a Williams teve uma corrida forte em casa e conseguiu, pela 1ª vez no ano, pontuar com ambos os carros.

O resultado poderia ser melhor caso Hulkenberg não fosse atrapalhado por Liuzzi em sua volta rápida – o italiano foi punido com 5 posições no grid. Assim, apenas Barrichello passou para o Q3.

Na 1ª volta, o alemão foi ultrapassado por Petrov e superou Buemi. Nos pitstops, voltou a ficar na frente do russo. As péssimas corridas das Ferrari o ajudaram a chegar em 10º.

Barrichello andou de igual para igual com os grandes

Barrichello andou de igual para igual num trenzinho que tinha Ferrari, Mercedes e McLaren e trouxe o carro para casa. Largou em 8º, foi outro que se beneficiou das más corridas de Alonso, Massa, Kubica e Vettel e foi ultrapassado por Button nos boxes.

Schumacher x Rosberg: mais uma lavada

13 jul
Michael Schumacher Nico Rosberg
Posição na classificação 10º
Tempo da Classificação (Q3) 1′31.430 (+0.805) 1′30.625
Posição na corrida
Tempo médio de volta 1′38.458 (+0.39) 1′38.067
Voltas 52/52 52/52
Pit stops 1 1

Confira a prova de Schumi e Rosberg volta a volta

Schumacher teve outra corrida para esquecer na Inglaterra. Normalmente, quando vemos uma diferença grande entre os pilotos na classificação – como no caso de Alonso e Massa, Hamilton e Button – ela tende a se dissipar durante a corrida, dando razão à explicação de que o piloto mais lento não conseguiu tirar o máximo do carro em uma volta no sábado.

Mas não é o que vemos com o heptacampeão. A diferença, que já era gigante no sábado, se torna inaceitável no domingo. Schumi chegou a andar em 7º, mas perdeu 2 posições quando cometeu um erro logo que saiu do pitstop e outras 2 depois do Safety Car – para Sutil e Vettel, alemães que muito provavelmente correm por causa dele. Eddie Jordan está certo: se fosse outro, estaríamos pedindo sua cabeça.

Se Rosberg falar que esperava o pódio, está mentindo

Já Rosberg correu sob pressão o tempo todo. Primeiro, de Alonso, depois, de Button. Ficou à frente de ambos. Isso, aliado a uma boa estratégia de permanecer na pista por mais tempo que os rivais – e parte do crédito vai para ele, que andou rápido nesse período, permitiu que garantisse um pódio inesperado.

Vettel x Webber: muito barulho por nada

13 jul
Sebastian Vettel Mark Webber
Posição na classificação
Tempo da Classificação (Q3) 1′29.615 (-0.143) 1′29.758
Posição na corrida
Tempo médio de volta 1′38.364 (+0.706) 1′37.658
Voltas 52/52 52/52
Pit stops 1 1

Confira a prova de Vettel e Webber volta a volta

Muito se falou da asa dianteira que a Red Bull tirou do carro de Webber e colocou no do preferido Vettel, mas a peça que fez diferença na corrida foi a asa de Hamilton, que com um leve toque na 1ª curva acabou com a corrida de Vettel e toda a estratégia da Red Bull de colocar seu pupilo na liderança do campeonato.

Mais uma vez, o alemão deixou a corrida de lado e fez de tudo para não perder terreno para seu companheiro da equipe. Mais uma vez, Webber controlou bem o ritmo e venceu sem dificuldades.

Vettel voltou pros boxes emburrado

Tendo feito praticamente uma volta com o pneu furado, Vettel voltou atrás, andando bem mais lento que o companheiro e estava com a corrida acabada até o Safety Car, que descontou uma diferença de 83s para o líder. Em 23 voltas, passou 5 carros – Massa, Alguersuari, Hulkenberg, Schumacher e, com muito mais dificuldade, Sutil – e calou por ora os que o criticam por não conseguir ultrapassar.

Inglaterra: estatísticas e curiosidades

12 jul

- 14º e 15º: foi o pior resultado da Ferrari desde o GP da França de 1978, quando Gilles Villeneuve e Carlos Reutemann terminaram em 12º e 18º.

- A volta mais rápida de Alonso, a última da corrida, com pneus recém trocados, foi a 15ª da carreira do espanhol, que se igualou a Jackie Stewart e Clay Regazzoni.

Bateu o desespero na Ferrari

Voltas na liderança em 2010

Piloto Voltas
Mark Webber 259
Sebastian Vettel 174
Jenson Button 74
Lewis Hamilton 56
Fernando Alonso 20
Nico Rosberg 16
Sebastien Buemi 1

- Os pilotos da Red Bull lideraram, juntos, duas vezes mais voltas que todo o restante junto (433 de 600), mas são apenas 3º e 4º no campeonato.

- A equipe austríaca, aliás, tem 9 das 10 poles disputadas até agora. Perseguem as marcas de 15 em 16 provas de 2 outros carros de Adrian Newey (os Williams imbatíveis de 1992 e 1993) e a McLaren de 1988.

- Os touros vermelhos dominaram completamente Silverstone: vitória, pole e todos os treinos livres.

Webber mostrou a que veio na Inglaterra

Pódios

Piloto Pódios
Lewis Hamilton 6
Jenson Button 5
Mark Webber 5
Sebastian Vettel 4
Fernando Alonso 3
Nico Rosberg 3
Felipe Massa 2
Robert Kubica 2

- Este é o segredo da liderança de Hamilton: maior número de pódios e não de vitórias, como seria de se esperar pelo novo sistema de pontuação.

Campeonato após Inglaterra – pontuação nova e antiga

11 jul
Pos Piloto antiga atual
Hamilton 60 145
Button 54 133
Webber 60 128
Vettel 40 121
Alonso 38 98
Rosberg 40 90
Kubica 29 83
Massa 26 67
Schumacher 13 36
10º Sutil 11 35

Para quem acha que o campeonato apertado é resultado da nova pontuação, Webber e Hamilton estariam empatados se a pontuação antiga tivesse sido mantida – com o australiano na frente por ter mais vitórias. Button cairia para 3º e Vettel e Rosberg também estariam empatados, em 4º – com o piloto da Red Bull na frente.

Nada mal para um 2º piloto

11 jul

E parece que, pra fazer Webber andar, é só desafiá-lo. E pra fazer Vettel errar, é só colocar Webber na frente dele. A Red Bull alimentou um problema interno sem qualquer necessidade ao tirar a asa dianteira nova do carro do australiano e dar para o queridinho alemão, que fez de tudo pra se manter na frente do companheiro na largada e acabou com um pneu furado.

Hamilton, de novo, deu claros sinais de amadurecimento, se conformando com o 2º lugar quando é o máximo que o carro permite, ao contrário do que fazia no passado. E Button, como sempre, come quieto. Mesmo quando tudo parece errado, a McLaren consegue um 2º e um 4º. E com a briga na Red Bull, parece que vai ser outra aula de como perder um campeonato.

A Mercedes, pelo menos na mão de Rosberg, parece que conseguiu fazer o novo escapamento funcionar, assim como a Ferrari, que não conseguiu transformar seu bom rendimento em resultado, mais uma vez mergulhada num misto de más decisões dos comissários – quem diria, logo eles! – e péssima sorte.

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