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Os 5 campeões na pista e o grande momento da F1

24 mar

A temporada que começa nesta madrugada já é histórica antes do primeiro carro entrar na pista em Albert Park. Afinal, é a primeira vez desde 1970 que o grid terá cinco campeões mundiais. Em 2010, Michael Schumacher, Fernando Alonso, Lewis Hamilton,  Jenson Button e Sebastian Vettel irão emular o que Jack Brabham, John Surtees, Denny Hulme, Graham Hill e Jackie Stewart fizeram há mais de 40 anos.

O encontro de cinco campeões mundiais na mesma geração diz muito sobre o atual momento da Fórmula 1. Após os anos de domínio absoluto de Schumacher, de 2000 a 2004, os dois títulos seguindos de Alonso, nos anos seguintes, deram a impressão de que uma nova dinastia se iniciava. No entanto, a partir daí, tivemos não apenas 4 campeões diferentes, como também vindos de equipes distintas.

Mais 4 figurinhas entraram neste álbum desde 2005

Depois do último título do espanhol, de Renault, Raikkonen ganhou pela Ferrari, Hamilton pela McLaren, Button pela Brawn e Vettel de Red Bull. Isso indica que as constantes mudanças de regras pela qual o esporte passou a partir de 2005, se não serviram para aumentar a emoção nas corridas na proporção esperada, ao menos chacoalharam o equilíbrio de forças entre as equipes. Quem imaginaria que Ferrari e McLaren, que haviam dominado os mundiais de 2007 e 2008, estariam tão longe da Brawn, nascida das cinzas da “ex-lanterna” Honda, no ano seguinte?

É lógico que o material humano não pode ser menosprezado. Talvez à exceção de Button, que necessita de um carro bem acertado para andar bem, todos os outros têm bala na agulha para colocar seus nomes entre os grandes. Isso explica porque tenhamos visto batalhas tão intensas, como os 4 pilotos na disputa pelo título ano passado até a última etapa, mesmo com diferenças de equipamento.

E essa boa safra de pilotos também não é coincidência. O período anterior ao domínio de Schumacher marcou, não somente um continuismo nas regras, como também a decadência de alguns campeonatos de F3 e, principalmente, da F3000.

A partir de 2005, com o nascimento da GP2, além de uma F3 Euroseries forte, começaram a pipocar nomes como Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Robert Kubica, Sebastian Vettel, entre outros. Bem preparados e aportados por grandes empresas (Mercedes, McLaren, Renault/BMW, Red Bull), esses pilotos não demoraram para dar conta do recado na categoria máxima do automobilismo.

A boa notícia é que, ao contrário do que aconteceu naquele 1970, não se trata de um momento de transição entre duas gerações. Excetuando-se Schumacher, que tem mais dois anos de contrato, essa é uma turma que deve lutar por campeonatos pelo menos pelos próximos 5 ou 6 anos – no caso de Button e Alonso – e 10 anos – Vettel e Hamilton. A grande revolução de 2013 leva a crer que os regulamentos continuarão mutantes, portanto não é de se duvidar que esse recorde de número de campeões dividindo o grid seja quebrado em pouco tempo.

Massa Webber Nurburgring, Germany, Sunday 12 July 2009.

Massa e Webber estão de olho numa vaguinha nessa turma

Outra marca importante daquela época é o de número de campeões diferentes. De 1964 a 1970, o título mudou de mãos 7 vezes: Surtees, Clark, Brabham, Hulme, Hill, Stewart, Rindt. O mesmo se repetiu entre 1976 e 1982, com Hunt, Lauda, Andretti, Scheckter, Jones, Piquet e Rosberg, em outro encontro de duas eras.

Hoje, na prática, quem tem mais chance de se tornar o 6º elemento dessa turma, levando em consideração a expectativa em torno de seu equipamento, é Mark Webber, seguido de perto por Felipe Massa. Ambos têm a experiência e estão no lugar certo para almejar o título. Mas não são os únicos. Pensando a médio prazo, temos Rosberg e Kubica (dependendo, é evidente, de como o polonês voltará após o acidente de rali do qual se recupera) acumulando anos importantes em carros menos competitivos. Se darão conta do recado quando a pressão pelas vitórias chegar, é impossível dizer. Mas certamente terão muitos exemplos em que se espelhar.

As brigas internas de 2011: Red Bull e Mercedes

5 mar

Um campeonato de F1 não é completo sem “aquela” rivalidade para animar a disputa. E se os algozes estiverem dentro da mesma equipe, melhor ainda. Às vezes, dois pilotos mal podem se olhar, mas, se este não for o caso, logo a imprensa já começa a dizer que, por trás da calmaria, o circo está pegando fogo. E sempre escolhe o piloto mais midiaticamente palatável como mocinho e aquele que não faz muita questão de agradar como bandido.

As nacionalidades também ajudam, claro. Mansell, tido aqui pelos fãs de Piquet como um piloto mediano, que não conseguiu bater o brasileiro mesmo sendo o queridinho da Williams, é visto na Inglaterra como um dos maiores e mais azarados pilotos da história. Talvez a verdade esteja no meio do Atlântico, longe da falta de objetividade de uns e outros.

Um dos grandes atrativos da temporada passada foi a briga interna nos times grandes, e a expectativa é de que os capítulos que vêm a seguir sejam ainda melhores. Quem diria que Rosberg levaria a melhor sobre Schumacher ou que Webber seria uma pedra no sapato de Vettel?

Schumacher x Roberg

Claro que, até que a temporada comece para valer, só podemos imaginar o que acontecerá. No caso da Mercedes, as indicações são de que o carro não nasceu bem novamente. Porém, ao contrário do ano passado, Schumacher não tem motivos para reclamar dos pneus. Eles não privilegiam pilotos que lidam melhor com carros que saem de frente, como ano passado e, portanto, devem igualar o jogo dentro da equipe alemã. Isso, se a F1 não se provar dinâmica demais até para um dos melhores pilotos da história da F1.

“Eu não acho que tenha prejudicado o mito dele. Ele é um heptacampeão mundial e sempre permanecerá no livros históricos. Mas com certeza me senti bem em vencê-lo”. Nico Rosberg.

O normal da briga interna na Mercedes seria um equilíbrio, pendendo para Schumacher devido à abordagem mais agressiva do heptacampeão nas corridas. Interessante será ver qual a reação de Rosberg caso isso aconteça: em 2010, o alemão mais jovem foi exemplarmente político e falou na pista. Que reação teria caso saísse perdendo? Qualquer mal estar com a equipe só prejudicaria a ele mesmo, pois Schumacher tem mais uma, duas temporadas pela frente. A longo prazo, Nico sabe que é nele que o time tem que confiar. Como o carro de 2011 não deve fazê-los lutar pelo título, o mais inteligente seria pensar lá nos frutos que pode colher num futuro próximo.

Vettel x Webber

Já na Red Bull, nada indica que a postura de qualquer dos envolvidos seja muito diferente do que foi em 2010: Vettel dando uma alfinetada aqui, guiando de forma perfeita ali; Webber se colocando na posição de outsider; Marko se assegurando de que seu pupilo receba os devidos mimos; Horner se fazendo de desentendido e Mateschitz garantindo que o esporte fica em 1º lugar.

“Não vou para a pista para prestar primeiros socorros a ninguém. Acho que há ambulâncias suficientes para isso no circuito”. Sebastian Vettel, quando perguntado se ajudaria Webber a ganhar o título ano passado.

“Claro que já não tenho mais 20 anos, mas Sebastian não tem nenhuma tatuagem ou brinco, então talvez se eu fizesse algo do tipo poderia ajudar”. Mark Webber.

O que pode tornar 2011 diferente são as corridas iniciais do agora campeão do mundo. Ano passado, problemas técnicos lhe tiraram duas vitórias certas nas duas primeiras provas, o que certamente mudou a história do campeonato. Ninguém duvida do enorme talento de Vettel e o normal é que o alemão domine o australiano ao longo de uma temporada. Porém, 2010 mostrou que Webber, e seu complexo de vira-lata, é capaz de guiar muito mais do que se espera dele quando se sente deixado para trás. Aquela vitória em Silverstone que o diga.

Vettel, no entanto, parece não se preocupar. Recentemente, quando listava os rivais pelo título, deixou o companheiro por último, e afirmou que “se o carro for bom, ele estará na luta”. Para bom entendedor, já bastou.

A diferença, para Webber, é que ele não tem o contrato para 2012 fechado e, se quiser permanecer na Red Bull, terá que se manter calado. As especulações sobre seu futuro já começaram e Mateschitz chegou a afirmar que “Mark é um piloto muito forte e certamente outras equipes vão se interessar por ele”. Parece que ninguém se importa em cutucar o australiano.

Turma de 2011: Mercedes

3 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 4º, 214 pontos
Melhor resultado: 3º (3 vezes, todas com Rosberg)
O que levar para 2011: confiabilidade
O que esquecer: carro difícil de acertar

Panela velha

Michael Schumacher
Hürth-Hermülheim, Alemanha, 03.01.1969
269 GPs
91 vitórias
Por que Schumacher: deve ser a tradução de agressivo em alemão
Em 2010: 9º, 72 pontos
O que levar para 2011: o ritmo de corrida das últimas provas
O que esquecer: todo o resto

Ganhando espaço

Nico Rosberg
Wiesbaden, Alemanha, 27.06.1985
89 GPs
Por que Rosberg: inteligente e constante, dificilmente erra
Em 2010: 7º, 142 pontos
O que levar para 2011: a tendência em ficar longe de confusões
O que esquecer: excesso de zelo no mano a mano

A queda no rendimento nas últimas corridas de 2009, depois de um início arrasador sob o nome de Brawn, já anunciava os dias difíceis que viriam. A obra-prima, que havia sido desenvolvida com os rios de dinheiro da Honda, não teve como seguir seu crescimento com a drástica redução de pessoal entre 2008 e 2009. Com a chegada da Mercedes, ao final do ano (quando o desenvolvimento do carro de 2010 já estava bem adiantado), o time tomou a decisão de continuar compacto, já de olho nas restrições do acordo de restrição de gastos, que prevê, entre outras medidas, corte de pessoal.

O W02 apresentou alguns problemas técnicos no início dos testes

Por essas e outras, é compreensível que o mesmo time que espantou a todos no início de 2009 tenha despencado em 2011. A campanha foi ainda mais prejudicada pela difícil readaptação de Michael Schumacher, envolto em problemas com os pneus e o acerto do carro. Ao menos a equipe alemã confirmou que podia contar com seu outro novo recruta, Nico Rosberg, que deu os 3 únicos pódios à equipe.
É de se esperar que, tanto os problemas de desenvolvimento e projeto, quanto de adaptação – de Schumacher e na integração da ex-Brawn com a Mercedes – fiquem para trás em 2011. O problema é a distância considerável que separa os alemães da ponta. Mesmo lembrando que as flechas pararam de ser desenvolvidas em meados do ano, a diferença de quase 1s2 na classificação em Abu Dhabi é alarmante; na Inglaterra, quando o carro ainda recebia peças novas, a distância para a pole foi de 1s.


Não coincidentemente, alguns conceitos do carro do ano passado foram abandonados. A entrada de ar acima da cabeça do piloto agora tem um ar mais standard, o bico mais baixo foi levantado, ganhou a forma em V característica dos Red Bull e as entradas dos radiadores ficaram mais anguladas e triangulares. Seguindo a moda do paddock, a traseira é esguia e as suspensões, em formato pull rod. A aposta da Mercedes é num projeto que se aproxime dos conceitos adotados pela Red Bull, e na força de seu KERS, notavelmente o melhor e mais leve em 2009.

Pilotos twiteiros mostram que férias servem para treinar

20 jan

“Estou vivendo e treinando de 2.600 a 3.700m de altitude. É tão duro quanto pode ser. Treinei quase todos os dias, até na véspera de Natal.” Essa está sendo a primeira temporada com os pilotos marcando presença em massa nas mídias sociais: um prato cheio para quem quer saber um pouco mais sobre a preparação física, que tem seu ápice nessa época do ano. Quem buscou a altitude foi Lewis Hamilton, tentando maximizar sua eficiência cardiovascular, como um verdadeiro maratonista queniano.

Um Lewis barbudo e empacotado atravessando a neve em seu refúgio de treinamento

O inglês passou um mês, de 13 de dezembro a de 13 de janeiro, no Colorado, Estados Unidos, praticando esportes na neve e fazendo musculação. Pelo menos duas sessões ao dia, de cerca de 2h cada, comandadas por seu novo treinador, o finlandês Antti Vierula. Lewis disse acreditar que queimou de 7.000 a 10.000kcal por semana!

Dia 18, ele e Jenson Button se reuniram para um dia de integração na McLaren, algo comum nas pré-temporadas da equipe. Há uma preocupação com a preparação física até dos mecânicos. Todos participam de atividades para melhorar o fitness e o trabalho em grupo.

Jenson, aliás, também treinou pesado, mas ao seu estilo. Fugindo do frio, foi de praia em praia praticando seu segundo esporte preferido: o triathlon. Ilha de Guernsey, Austrália, Havaí… parece que o campeão de 2009, mesmo diante da mais extenuante temporada da história, não quis saber de parar de viajar.

button armstrong

Button e sua trupe de treinos no Havaí, com direito à companhia de Lance Armstrong

Button disse que está aproveitando para nadar e pedalar enquanto está em lugares quentes e que fará mais corrida quando voltar à Inglaterra. Aproveitando mesmo. Um dia fez 171km de ciclismo, outro nadou – segundo ele, pela primeira vez sem parar – 3,8km no mar. Outro dia, depois de pedalar por 120km com ninguém menos que Lance Armstrong, 1km de natação, só para soltar. Dia 11 de janeiro foi a despedida do Havaí, mas não dos treinos. Agora mirando o duatlhon de Guernsey, realizado dia 16: cerca de 3,2km de corrida, 20km de bike e mais 3,2km de corrida.

Outro bon vivant é Jaime Alguersuari. O DJ Squire nas horas vagas começou as férias se divertindo no Desafio Internacional das Estrelas de Kart, em Florianópolis. Depois, foi às paradisíacas Ilhas Canárias “para treinar de verdade”. Pedal, pedal e mais pedal.

Alguersuari pedalando na ilha de Lanzarote, nas Canárias

Seu companheiro, Sebastien Buemi, foi à Alemanha para treinar e guiar na neve. E fez questão de mostrar que pego pesado até no dia 24 de dezembro. Depois de alguns dias pegando mais leve e jogando muito F1 2010, voltou ao batente, fica do dia 14 até amanhã num local afastado em que a única coisa que se tem a fazer é treinar, uma espécie de campo de treinamento.

A foto que prova que Buemi estava treinando na véspera de Natal

E Heikki Kovalainen mostrou que não gosta só de praticar esportes. O finlandês comenta todo tipo de competição em que há atletas nacionais. De hokey no gelo a badminton. Também gosta de ganhar qualquer coisa, comemora até vitória no xadrez sobre a namorada. Heikki também apostou nos esportes de inverno – com direito a treino intervalado subindo escadas de uma estação de esqui – e na bicicleta – quando estava gripado, pedalou “só” 1h30 para não ficar parado.

Correr, pedalar, nadar e fazer musculação parecem ser as atividades preferidas dos pilotos no inverno. Timo Glock também revelou que esta é sua rotina: natação pela manhã, bike à tarde e trabalho com pesos à noite. No início de janeiro, foi outro que isolou-se numa casa nas montanhas só para treinar. Porém, gostou mesmo é de comentar sobre as “recompensas” pós-treino: comida. Também mostrou um pouco de suas aulas de pilotagem – de avião!

Depois de 1h de natação, a "recompensa" de Glock

Quem também que está se preparando para pilotar pelos ares (já até deu suas voltinhas sozinho) é Fernando Alonso. Sem twitter, ficamos sabendo mais da preparação do bicampeão via Facebook. O asturiano preferiu fazer 4h direto de atividades pela manhã e jogar futebol algumas tardes com os amigos para relaxar. No início de janeiro, teve uma leve contratura muscular e ficou uma semana de molho, evitando até esquiar no primeiro dia do evento da Ferrari em Madonna di Campligio. Prometeu, no entanto, chegar mais magro ao Bahrein. Ele é um dos pilotos que saem em desvantagem em relação ao companheiro, mais baixo e leve – Massa tem 1,66m e 59kg, contra 1,71m e 68kg de Alonso – , devido ao KERS, e tem que fechar a boca  e correr atrás do prejuízo.

Outro que luta contra a balança é Rubens Barrichello. O brasileiro nos contou pelo twitter que já perdeu 3,5kg, cortando carboidratos à noite. E também que melhorou seu tempo na meia maratona da Disney em 8 minutos, fez os 21km para 1h47.

Se Nico Rosberg treinou nesse inverno europeu – e é claro que o fez – não quis contar via twitter. O alemão foi para a Finlândia, terra de seu pai, e venceu um duelo com o campeão de 1984 sob 4 rodas na neve, o que deixou o velho Keke claramente desapontado. Mal criado, ainda colocou o vídeo da vitória no ar:

Fora alguns esportes na neve, motorizados (snowmobile) ou não (ski cross crountry), não revelou muita coisa.

Mark Webber também preferiu comentar sobre críquete e seus animais de estimação. Talvez não queira que os chefões da Red Bull saibam que ele andou pedalando…

As incógnitas de 2010: a pressa de Schumacher

3 jan

GP da China, o 4º da temporada. O céu fechado, um chove não molha. Era a hora de Schumacher brilhar. Sempre foi nestas condições que o Kaiser se sobressaiu. Mas, desta vez, foi a chance do mundo da F1 enfim se dar conta de que o esporte mudara demais em 3 anos, até para um gênio. O alemão destruiu seus pneus e virou presa fácil, levando nada menos que 8 ultrapassagens, enquanto seu companheiro ia ao pódio. Quem diria, seria um ano de aprendizado depois dos 40.

As explicações são muitas e passam pela falta de treinos e adaptação aos pneus slick, sendo os dianteiros mais estreitos. Mas é de se estranhar que o dono de 7 títulos mundiais, que voltou de um grande acidente em 1999 antes do previsto e fazendo pole, tenha demorado tanto para se adaptar. Antes das férias de agosto, com 12 etapas disputadas, o placar entre Schumi e Rosberg era amplamente favorável ao piloto que estreou na F1 em 2006, com direito a diferença média na classificação de 0.262s. Mesmo assim, ele ainda estava lá e decisões acertadas em largadas mostravam isso:

Nico X Michael
93 Pontos 38
10 Classificação 2
6.6 Posição média de largada 9.3
Melhor resultado
6.2 Posição média de chegada 9.2
3 Pódios 0
1 Abandonos 1

Nas 7 provas seguintes, no entanto, vimos traços do velho Schumacher de volta. Classificou-se por 3 vezes à frente de Nico, sendo uma delas por mais de 0.5s, justamente num chove não molha em Interlagos. Nessas corridas, a diferença média de classificação caiu para 0.101s.

Nico X Michael
49 Pontos 34
4 Classificação 3
8.7 Posição média de largada 11
Melhor resultado
5.2 Posição média de chegada 7.6
0 Pódios 0
2 Abandonos 1

Fora isso, vimos corridas mais ao estilo Schumacher, sem afobação – a não ser em Cingapura, provavelmente seu ponto mais baixo no ano, junto com Xangai. É bom lembrar que, a partir da metade do ano, a Mercedes parou de desenvolver o carro, trabalhando apenas com o refinamento do setup. Foi a partir desse momento que o alemão cresceu.

As lutas por posição encarniçadas também não deixaram dúvidas a respeito de quem estava ao volante. Kubica, Massa e Barrichello que o digam.

Mas, convenhamos, levar tempo de um piloto que, apesar de talentoso, não tem a experiência de lutar por vitórias na F1 e, ainda por cima, também fazia seu primeiro ano na equipe, ainda é pouco para o Kaiser. Não na sua opinião, é claro. Como vemos nessa entrevista a Niki Lauda, ele afirma que não é qualquer um que enfrenta a garotada de igual para igual como ele.

E isso nos leva à questão da idade, talvez a única que explique o sofrimento em se readaptar. Schumacher completa 42 anos hoje, dizendo que 2010 foi apenas o 1º de um projeto de 3 anos, nos moldes do que ele fez com a Ferrari entre 1996 e 2000, formando uma equipe decadente à sua maneira até chegar ao título. Contudo, chegou ao time italiano logo depois de se tornar o bicampeão do mundo mais jovem da história, não aos 41 e vindo de 3 anos de aposentadoria.

Michael conta com a mão hábil de Ross Brawn e com a esperança de que o fato da Mercedes ter começado cedo a dar 100% de atenção ao projeto de 2010 o faça economizar tempo. E ele precisa ter pressa. Somente 5 vezes na história a categoria teve um campeão com 42 anos ou mais – todas na década de 1950. Na F1 moderna, quem chegou mais perto foi Nigel Mansell, com 39.

É no inverno que os pilotos pegam pesado no treinamento

4 dez

Muitos gostaram de um post sobre o treinamento físico dos pilotos. Essa época de inverno europeu, por mais que possamos pensar que eles estão de férias, é o período mais importante de preparação. Se não fizer a lição de casa direito, provavelmente vai sofrer o resto do ano.

Isso porque é a hora do chamado treinamento de base, que dá as condições básicas ao corpo para que ele seja levado aos esforços específicos da modalidade. Por exemplo, a grosso modo, um corredor (de rua) de 10km ou de maratona terá um treino parecido nos primeiros meses de temporada, depois um vai focar mais em velocidade, outro em resistência.

E é – muita – resistência de força que os pilotos precisam. E, pior, sem poder ganhar muita massa muscular, para não ficarem muito pesados.

Esse vídeo faz parte de uma série que mostra “pessoas normais” treinando para guiar um F1, num evento em Abu Dhabi:

O normal é que a preparação se intensifique a partir do final de dezembro, mas Nico Rosberg, como mostra essa matéria da Mercedes, preferiu não descansar:

Durante uma corrida, os pilotos podem perder, em média, até 2kg de peso, e em climas quentes, em que as temperaturas cockpit podem ultrapassar 50ºC, essa perda pode ser de até 4kg. Cerca de 3.000 calorias são queimadas, a frequência cardíaca pode subir para 190 bpm e forças de até 5G, cinco vezes o seu peso corporal, são suportadas.

“É por isso que o fitness é tão importante”, diz Nico. Dirigir um carro de F1 é muito extenuante e, no inverno, o piloto lança as bases para a longa temporada pela frente. Durante o ano, ele está ocupado ou viajando ou correndo: “No inverno, eu tenho mais tempo para o treinamento.” Essa fundação sustenta-o por todo o ano.

A melhor preparação, é claro, é dirigir o carro de fato, pois só assim os grupos musculares recebem o treino completo necessário para competir. ”Infelizmente, a proibição de testes de inverno significa que podemos andar menos, o que torna mais difícil manter os níveis de aptidão”, diz Nico. Nos finais de semana de corrida, ele está dirigindo o carro tempo suficiente para garantir que seus músculos sejam mantidos em bom estado.

É particularmente importante a preparação do pescoço, trapézio, tronco e braços, porque essas partes do corpo são colocadas sob grande tensão. Nico tem uma academia de ginástica em sua casa e um aparelho para fortalecer o pescoço em sua garagem. A máquina simula as forças das mudanças de direção do carro nos músculos do pescoço, o que não substitui o tempo dentro do cockpit, mas já é uma ajuda.

Nico diz: “Eu treino quase todos os dias em casa. Três horas por dia, em média, talvez um pouco mais no inverno”. Ele prefere esportes ao ar livre – faz natação, ciclismo e corrida. “Andar de bicicleta nas montanhas, correndo no campo – essa é minha ideia de paraíso”. Ainda bem que o clima em Mônaco, onde reside, é bom o ano inteiro.

Outros residentes em Mônaco e triatletas nas horas vagas são Lucas di Grassi e Jenson Button:

“Eu realmente gosto de fazer exercícios de resistência. Praticar todas as repetições diferentes pode ser muito divertido. Eu nunca gostei muito de musculação. Prefiro jogar hóquei no gelo. É absolutamente fantástico – provavelmente é meu sangue finlandês”, revela Nico. Apesar disso, ele não se atreve a ir para o gelo agora porque o risco de lesões é muito grande. ”Se eu tivesse crescido na Finlândia, teria me tornado um jogador de hóquei no gelo”. Felizmente para nós, seus primeiros anos de vida foram passados em Mônaco, e agora ele dirige um de nossos carros de F1.

Ultrapassagens que não deram tão certo

27 nov

Dizem que quem não arrisca, não petisca. Mas quem nunca se arrependeu de não ter ficado quietinho no seu canto?

Webber e Hamilton x Alonso, GP da Austrália

Não querer perder contato com o piloto que vai à frente é uma coisa, provocar o contato é outra. E Alonso, que tinha a linha comprometida e provavelmente seria ultrapassado pelos dois, agradece.

Hamilton x Webber x Massa, GP da Australia

Webber estava impossível correndo em casa. Que o diga Hamilton, que foi abalroado duas vezes na mesma corrida, pra sorte, de novo, da Ferrari.

Vettel x Webber, GP da Turquia

“Use seu botão de ultrapassagem para dar um gás na reta”. Talvez essa tenha sido a mensagem via rádio da qual a Red Bull mais tenha se arrependido.

Webber x Kovalainen, GP da Europa

Essa é pra quem duvidava que Red Bull te dá asas. Mais um erro de julgamento – ou seria o carro “mal-criado” ? – de Webber: pra quê ficar dançando atrás para pegar o vácuo de um carro tão mais lento?

Alonso x Massa, GP da Alemanha

Os mais pragmáticos dirão que a ultrapassagem deu certo, mas a dor de cabeça que essa execução pouco criativa gerou para a Ferrari a coloca na lista dos #fail.

Vettel x Button, GP da Bélgica

Movimentos suspeitos da asa dianteira à parte, esse foi o acidente mais bizarro do ano. Não dava pela direita, pela esquerda, então ele foi pelo meio.

Hamilton x Massa, GP da Itália

Parece que a asa traseira gigante do companheiro atrapalhou os pensamentos de Hamilton, que deixou a roda desguarnecida quando tentava sabe-se lá o quê.

Hamilton x Webber, GP de Cingapura

Depois dos encontrões do início da temporada, Hamilton já devia suspeitar que Webber gosta de usá-lo para frear. Deixou pouco espaço e teve muito azar de abandonar sozinho.

Rosberg x Massa; Rosberg x Buemi, GP do Japão

Nico acabou no muro, mas escapou 2 vezes antes. Na 1ª (35s), Massa tenta uma ultrapassagem raio-X; na 2ª (56s), já vi essa manobra dar certo, mas Rosberg não conseguiu segurar a linha de fora da 130R.

Quais foram as melhores ultrapassagens do ano

27 nov

Umas são fruto de puro oportunismo, outras são meticulosamente calculadas, mas todas têm sua beleza. Aí está minha lista das melhores ultrapassagens do ano, organizadas por data. Lembram de mais alguma?

Hamilton x Rosberg, GP da Austrália

Hamilton foi muito corajoso aqui, numa rara ultrapassagem – e por fora – na curva 11 de Melbourne.

Alguersuari x Hulkenberg, GP da Malásia

Essa foi daquelas estudadas, em que parece que o piloto sabe o desfecho antes da primeira tentativa.

Alonso x Massa, GP da China

Alonso dá seu cartão de visitas a Massa numa manobra pra lá de oportunista na entrada dos pits. Hamilton fez o mesmo com Vettel, em outra que poderia estar na lista.

Hamilton x Vettel x Sutil, GP da China

Falando em oportunismo, aos 2min de vídeo, Hamilton aproveita que Sutil escorrega e bloqueia Vettel para passar logo os dois.

Hamilton x Vettel, GP da Turquia

É Hamilton com sua presa favorita novamente, agora por fora, aos 44s de vídeo, logo após ter perdido a posição na largada.

Button e Kubica x Webber, GP da Europa

Briga de foice no travadíssimo circuito de Valência. E Webber deve estar se perguntando até agora o que aconteceu.

Rosberg x Alguersuari, GP da Inglaterra

A Brookslands, e ainda por fora, não costuma ser lugar de ultrapassagem, mas Rosberg não quis nem saber e colocou o carro pra lá da linha branca, a 1min21 do vídeo, para passar Alguersuari.

Barrichello x Schumacher, GP da Hungria

Barrichello tinha pneus bem mais novos, mas essa entra na lista pela coragem: quem não tiraria o pé ao ver o muro tão perto?

Kobayashi x Alguersuari, GP do Japão

O japonês freia pra lá do “deus nos acuda”, faz a curva de lado e ainda toca em Alguersuari para parar o carro. Isso é que é passar na marra.

Alonso x Hulkenberg, GP do Brasil

Outra daquelas calculistas: Alonso faz Hulkenberg contornar o S de uma maneira longe da ideal para sair para o abraço lá na frente.

Hamilton x Safety Car, GP da Europa

Essa perde em plasticidade, mas ganha em eficiência. Foi a ultrapassagem que mais posições garantiu a um piloto. Tivesse ficado atrás do Safety Car, muito provavelmente terminaria a corrida fora dos pontos, lembrando que voltaria à pista após o pit atrás de Massa, pois trocou o bico do carro. Cruzou a linha de chegada em 2º.

O top 5 de 2010

20 nov

Listas sempre são complicadas, polêmicas e não levam a nada, mas são simplesmente irresistíveis! Fiz a minha considerando a equação resultados X o que o carro permitia e dando um crédito maior àqueles que lidavam com a enorme pressão de disputar um dos campeonatos mais parelhos de todos os tempos. E para vocês, quem foram os melhores do ano e por quê?

1 Fernando “não desisto nunca” Alonso

Chegar com o 3º melhor carro do ano – com ou sem os pontos da Alemanha – liderando na última etapa do mundial e só perder o tricampeonato por um erro inexplicável da equipe já fala por si só. E isso, no 1º ano de Ferrari. Cometeu 3 erros graves – largada na China, batida nos treinos livres em Mônaco e na corrida na Bélgica – mas esteve perfeito nos momentos decisivos e claramente levou o F10 a lugares que não merecia, incluindo duas poles e 5 voltas mais rápidas. Alguns podem dizer que mais herdou que consquistou vitórias, mas isso só foi possível porque se colocou em posição de aproveitar as falhas dos rivais. As performances em Monza e Cingapura foram especialmente impressionantes. Dominou completamente, dentro da pista e na política interna, um companheiro que fazia sua 5ª temporada na equipe.

2 Lewis “ou vai ou racha” Hamilton

Só perde o 1º posto para Alonso porque seus erros ocorreram nos momentos mais importantes do ano mas, assim como no caso do espanhol, creio que sejam em grande parte consequência da tentativa de superar um equipamento deficiente. Não é exagero pensar que, tivessem, Hamilton ou Alonso, uma Red Bull nas mãos, o campeonato seria bem mais sem graça. A performance de Lewis entre os GPs da Turquia e da Alemanha, quando somou 98 pontos dos 125 possíveis, assim como suas 5 voltas mais rápidas em corrida num carro claramente deficiente em relação à Red Bull, mostram a força de um piloto que soma agressão a qualidade. Envolver-se mais em questões estratégicas e ter uma melhor visão global do campeonato o ajudaria muito a subir de degrau.

3 Sebastian “da pole eu não saio” Vettel

Os 66 pontos perdidos por falhas mecânicas claramente fizeram falta, mas o menino prodígio bem que poderia ter facilitado sua vida. Rápido e talentoso – as 10 poles não mentem – ele comprovou que é, mas a afobação em momentos de pressão foi outra marca igualmente forte. Tanto, que precisou de uma corrida péssima da Bélgica para adotar a mentalidade de azarão no campeonato e mostrar toda a sua velocidade, sendo absolutamente perfeito, dentro e fora das pistas, nas 4 provas finais. Não se pode deixar para trás a estatística de que apenas converteu em 25 pontos 3 das 10 poles, algumas jogadas fora em manobras de defesa desnecessárias na largada (Inglaterra e Alemanha foram gritantes). Também precisa demonstrar que consegue vencer em outra condição que não seja “flag do finish” – todas as vezes em que truinfou na F1, saiu da pole ou em 2º lugar, passando o 1º já na largada (à exceção do GP de Abu Dhabi de 2009, quando Hamilton quebrou enquanto liderava). Tem que mostrar que tem racecraft e sabe ultrapassar.

4 Jenson “come quieto” Button

Outro que também trocou de equipe neste ano, aterrisando em pleno “território Hamilton”, e soube conquistar bem seu espaço. Mesmo com um carro bem inferior aos Red Bull e problemas com aderência nas classificações, manteve-se na luta até a penúltima etapa. Isso porque foi o único dos candidatos ao título que não cometeu erros graves durante as provas. A performance com a maior asa traseira que Monza já viu foi excepcional. Toda essa constância, no entanto, ficou em segundo plano na metade final do campeonato, quando a McLaren se perdeu nas atualizações. Um Button corrigindo a trajetória do carro não é um Button feliz, e foi esse que vimos a partir de Silverstone. Várias vezes declarou não saber por que o carro estava daquele jeito, que sua McLaren tinha mudado de uma hora para outra. Para ser bicampeão, especialmente com Hamilton a seu lado, terá que descobrir como reagir em dias nos quais o carro não coopera.

5 Robert “procura-se vagas” Kubica

Depois de um 2009 fraquíssimo, quando andou menos que o companheiro Heidfeld, Kubica se encaixou rapidamente no novo projeto da Renault e cumpriu bem um papel de liderança que é, de certa forma, novo para ele. Não cometeu nenhum erro grave e alçou o time a posições irreais dado o rendimento do carro – embora a comparação com Petrov, aquele que colocou um pneu na zebra molhada na 1ª volta da classificação em Spa “só para testar” e sobre quem o polonês colocou 0.75s, em média, aos sábados, seja impossível. A performance nas chamadas “driver’s tracks”, como Mônaco, Bélgica e Japão, são um bom chamariz para as equipes maiores ficarem de olho. Só não o coloco mais acima na lista porque guiou sem qualquer pressão de disputa interna ou de título. Quem sabe num futuro próximo…

Menções honrosas

Mark “nada mal para um 2º piloto” Webber é outro que fez um grande campeonato. Tinha um canhão nas mãos, o que faz com que os erros sejam bem mais difíceis de acontecer, é verdade, e, tendo isso em vista, o 3º lugar no campeonato sem ter sofrido qualquer falha mecânica é pouco, mas deixou para trás a imagem de piloto errático e incostante com as vitórias dominantes na Espanha e em Mônaco. A diferença média em classificação para o excelente Vettel ficou em apenas 0.04s. Más largadas e o fato de ter sucumbido à pressão na hora em que sua experiência lhe seria mais valiosa acabaram com, muito provavelmente, sua única chance de ser campeão.

E, por fim, Nico “Michael who?” Rosberg, que chegou na Mercedes neste ano e mostrou muita consistência, ótima adaptabilidade e a qualidade de se colocar em posição de lucrar dos erros dos demais. Rosberg dominou ninguém menos que Michael Schumacher com propriedade, sabendo trabalhar com o heptacampeão dentro e fora das pistas.

Schumacher x Rosberg: saudades de Fiorano

17 nov

O ano de estreia com apenas 0.08s de desvantagem na média em classificação para o já experiente e – hoje desmascarado por Vettel – leão de treino Webber e o domínio absoluto sobre Wurz e o pobre Nakajima não serviram para que Rosberg e seu currículo, apenas comparável ao de Hamilton e Hulkenberg nas categorias de base, fosse considerado páreo para um Schumacher voltando aos 41 anos após 3 de aposentadoria, sob um regulamento completamente diferente e sem os testes dos quais tanto gostava nos tempos de Ferrari.

A exemplo do ex-companheiro Massa, Schumi não gostou nada dos pneus dianteiros mais estreitos usados neste ano

Logo ficou claro que o ano seria dele, um piloto muito constante, rápido em classificação, mas que ainda não mostrou a agressividade dos grandes campeões. Porém, como demonstrou nesse ano, com um grande carro nas mãos, dará trabalho. As 5 vezes em que foi 5º colocado e os 3 pódios mostram sua capacidade de sobreviver em provas em que os adversários desperdiçam oportunidades, enquanto Schumacher passou a melhorar nas últimas 4 etapas, quando a Mercedes parou o desenvolvimento e começou apenas a trabalhar com diferentes setups. Ou seja, quando Michael pode brincar como nos tempos de intermináveis voltas em Fiorano.

Rosberg Schumacher
Voltas na liderança 16 0
Diferença média na classificação -0.28 0.28
Média de posição no grid 7.4 9.9
Pódios 3 0
Média de posição de chegada 6.53 8.65
Voltas completadas em corrida 1029 1023
Abandonos por falhas mecânicas 1 1
Abandonos por acidentes 3 1
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