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GP da China em dados: tudo deu certo para a McLaren

18 abr

Uns falam em sorte, mas certamente a questão é de competência. Assim como McLaren – no primeiro semestre – e Ferrari – no segundo – mostraram claramente no ano passado, vencer um adversário tecnicamente mais forte é maximizar as oportunidades. Mesmo que o carro não ande tanto quanto os rivais, todos os outros fatores – desempenho dos pilotos na classificação, largada, ritmo de corrida e pitstops; estratégia por todo o final de semana e trabalho dos mecânicos nas paradas – precisam ser perfeitos.

Foi o que a McLaren experimentou neste GP da China, ao menos com Lewis Hamilton. O piloto esteve irretocável: soube encontrar o equilíbrio entre cuidar dos pneus e ser agressivo nas ultrapassagens, abrindo caminho para que a estratégia de três paradas funcionasse – afinal, ela só é viável se o piloto corresponder na pista.

E pensar que, por pouco, Hamilton sequer largou no GP da China

Tudo começou a funcionar no sábado, quando Hamilton, percebendo que não brigaria pela pole, poupou o último set de pneus macios. Button e Rosberg, por exemplo, não o fizeram, ao passo que Webber e Schumacher, outros que lucraram bastante com as três paradas, também tinham borracha nova. Provavelmente, Lewis usou os pneus mais novos em seu terceiro stint, no qual ultrapassou Button – chegou a andar 2s mais rápido que o companheiro.

Outro ponto que funcionou à perfeição foram as paradas em si, outro fator fundamental numa estratégia de três pits. Hamilton foi, e com margem, o que menos tempo gastou nos boxes entre os que optaram por fazer 4 stints – lembrando que o tempo de Liuzzi contabiliza 2 trocas de pneu e um drive through.

Entre os que pararam duas vezes, Massa teve menor perda. Mas esse pouco menos de 1s de vantagem para Vettel não é nada se comparados os ritmos de corrida dos Red Bull e dos Ferrari nos pneus duros. É o menor dos problemas da Scuderia no momento.

Tempo de perda no pit

Karthikeyan 26.049
Massa 42.792
Barrichello 43.190
Di Resta 43.207
Vettel 43.528
Alonso 43.775
Kobayashi 43.791
Petrov 43.986
Heidfeld 44.037
Kovalainen 44.375
Perez 44.870
Trulli 45.289
D’Ambrosio 45.703
Hamilton 1:01.978
Liuzzi 1:02.126
Rosberg 1:03.496
Schumacher 1:03.886
Webber 1:05.665
Button 1:05.774
Buemi 1:08.660
Sutil 1:10.755
Maldonado 1:12.842
Glock 1:18.418
Perez 1:27.612

GP da Malásia em dados: velocidades máximas

11 abr

Maiores velocidades por setor

Setor 1 Setor 2 Setor 3 (linha de chegada)
1 Alonso 291.3 Alonso 142.5 Sutil 272.6
2 Kobayashi 288.6 Webber 142.4 Heidfeld 272.4
3 Buemi 288.3 Vettel 140.4 Di Resta 271.0
4 Petrov 287.4 Massa 140.3 Petrov 269.3
5 Heidfeld 286.2 Hamilton 140.0 Schumacher 268.6
6 Liuzzi 286.0 Kobayashi 139.7 Button 267.8
7 Alguersuari 285.8 Sutil 139.6 Alonso 267.7
8 Webber 285.4 Schumacher 139.3 Webber 266.8
9 Di Resta 284.8 Heidfeld 139.2 Rosberg 264.7
10 Massa 284.1 Alguersuari 138.9 Kobayashi 263.5
11 Button 284.1 Di Resta 138.2 Massa 263.3
12 Schumacher 282.4 Button 137.6 Hamilton 262.2
13 Sutil 282.1 Buemi 137.2 Maldonado 262.1
14 Rosberg 281.9 Trulli 137.1 Perez 261.9
15 Hamilton 281.9 Kovalainen 137.0 Vettel 261.5
16 Kovalainen 279.5 Rosberg 136.6 Kovalainen 261.1
17 Vettel 277.8 Petrov 136.2 Buemi 259.9
18 Barrichello 277.7 Glock 135.0 d’Ambrosio 259.6
19 Maldonado 277.4 Perez 134.7 Barrichello 258.6
20 Glock 277.4 d’Ambrosio 132.5 Liuzzi 258.5
21 Perez 277.2 Liuzzi 132.0 Alguersuari 257.7
22 d’Ambrosio 276.7 Barrichello 132.0 Glock 257.2
23 Trulli 276.0 Maldonado 130.5 Trulli 255.8
24 Karthikeyan 270.8 Karthikeyan 129.1 Karthikeyan 245.6

Os cinco motores Mercedes nas seis primeiras colocações na medição de velocidade na linha de chegada são uma boa notícia não apenas em termos de potência em si, mas também em relação ao KERS dos alemães, uma vez que ele era ativado na saída da última curva.

É curioso notar que o vencedor da corrida aparece bem abaixo em todas as medições, com diferenças que chegam a quase 8km/h em relação ao próprio companheiro de equipe, que não utilizou o Kers durante a corrida – enquanto Vettel usou o mínimo possível. É mais uma prova de que o alemão não precisou forçar seu equipamento para dominar a corrida.

O único setor em que aparece entre os primeiros é o segundo, sem retas longas (veja o mapa). Isso sugere que, além de não correr riscos desnecessários com o Kers, a Red Bull anda poupando motores, enquanto os rivais usam tudo o que têm para tentar pegá-los. E isso pode fazer a diferença lá na frente.

As posições intermediárias de Hamilton e Button sugerem um acerto com maior pressão aerodinâmica, uma vez que podem contar com boa velocidade final e um Kers eficiente.

Mas nada surpreende mais que o desempenho de Liuzzi ao final do setor 1 e da reta. Dado que o italiano da Hispania abandonou por questões de segurança devido a um problema na asa, muito provavelmente ela não estava oferecendo resistência suficiente. Falando nisso, será que eles têm a esperança de usar a asa traseira móvel um dia?

Velocidades máximas (final da reta)

1 Heidfeld 299.6
2 Liuzzi 298.7
3 Massa 298.1
4 Schumacher 297.6
5 Petrov 296.8
6 Alonso 296.6
7 Rosberg 296.2
8 Button 295.0
9 Hamilton 294.1
10 Di Resta 292.8
11 Webber 291.9
12 Sutil 291.4
13 Barrichello 291.2
14 Alguersuari 290.3
15 Vettel 290.0
16 Buemi 290.0
17 Kobayashi 289.8
18 Maldonado 289.4
19 Trulli 289.3
20 H. Kovalainen 289.3
21 d’Ambrosio 289.3
22 Perez 288.3
23 Glock 287.8
24 Karthikeyan 281.6

Hamilton x Button: que diferença uma fila no grid faz!

31 mar

Muito já foi dito no post sobre as estratégias a respeito das diferenças entre as corridas de Vettel e Webber, Alonso e Massa. Durante o final de semana, a dinâmica entre outras duplas também chamou a atenção: Hamilton tirou leite de pedra na classificação e relegou Button à segunda fila. Encaixotado na largada, foi parar no meio da muvuca. E, como dizem os ingleses, o resto é história.

O sobe e desce entre os companheiros da Sauber foi outro ponto interessante, mas este é um tema para o próximo post. Por ora, voltemos à McLaren.

Nos treinos livres, Button parecia mais confortável com o carro e dava a pinta de que superaria Hamilton, que por várias vezes aparecia fritando os pneus. Porém, repetindo algo que não é exatamente uma novidade no confronto entre os dois, Lewis brilhou no Q3 e evitou a 1ª fila da Red Bull, enquanto Jenson se perdeu e justificou a grande diferença em relação ao companheiro com a turbulência por ter feito a volta rápida muito próximo de Rosberg.

Lewis Hamilton Jenson Button
Posição na classificação
Tempo da Classificação (Q3) 1’24.307 (-0.4720 1’24.779
Posição na corrida
Voltas 58/58 58/58
Pit stops 2 (16, 36) 3 (16*, 17, 37)

*drive through

Ambas as McLaren não largaram bem, mas enquanto Hamilton conseguiu se valer

da vantagem por ter o Kers e se defender de Webber, Button se viu num sanduíche, entre Petrov e Alonso, e acabou perdendo 2 posições.

Ficou preso atrás de Massa, que se defendeu muito bem dos ataques de um carro bem mais rápido. Sua corrida acabou ali. Na volta 10, a diferença para o líder já superava os 20s – e chegava a 18s em relação ao companheiro. Mas o cenário poderia piorar: repetindo Alonso em Silverstone, cortou a chicane para passar o brasileiro, demorou para devolver a posição, o piloto da Ferrari fez o pitstop e Button acabou punido com um drive through.

Sem Massa a sua frente, conseguiu melhorar o ritmo em 1s por volta. Após a punição, levava 30s de desvantagem para Vettel, o que aumentou para 62s depois de fazer sua primeira troca de pneus – seus pneus já estavam acabados, mas a equipe parece tê-lo deixado na pista o máximo possível para que ele atrapalhasse Vettel, quando o líder voltava dos boxes.

Enquanto isso, Hamilton se mantinha a 2, 3s do líder, cujos pneus se degradaram mais rapidamente.

Hamilton Button McLaren Australia 2011

Esse foi o mais próximo que Button chegou de Hamilton, quando companheiro parou nos boxes pela primeira vez

No segundo trecho, passou a andar ligeiramente mais rápido que Hamilton – a distância caiu para 50s –, que já não conseguia se manter no mesmo ritmo de Vettel e viu a diferença para o líder subir para 12s na volta 36, quando ambos fizeram a segunda parada. O inglês teve que diminuir o ritmo, pois o assoalho de seu carro, que completava o maior número de voltas em sequência desde o lançamento, estava se soltando

Button se beneficiou da batida entre Rosberg e Barrichello e passou Kobayashi para voltar a encontrar Massa, mesmo após o drive through. O ritmo do brasileiro era, novamente, cerca de 1s mais lento. O inglês o passou na volta 48 e manteve a 6ª posição até o final. Terminou 31s à frente do piloto da Ferrari, sendo 10s deles ganhos nos boxes e o restante, na pista. Descontando o tempo do drive through, ficaria entre Alonso e Webber, ou seja, não é de se descartar que lutaria por um pódio caso tivesse se mantido longe de confusão.

Os pilotos já começaram a cuidar dos pneus hoje

26 mar

Sebastian Vettel esteve, como dizem os ingleses, on a class of his own, absoluto em Melbourne. E sem usar o Kers! Mas a questão mais importante da classificação foi o manejo dos jogos de pneus. Para o treino que define o grid de largada e a corrida, os pilotos têm à disposição 3 jogos de pneus duros e 3 macios. Equipes grandes, como a Ferrari, decidiram sair com pneus duros no Q1 e acabaram tendo que voltar para a pista para se garantir – Alonso e Massa chegaram a ficar em 16º e 17º. Com a diferença de rendimento dos pneus, como o brasileiro descobriu, passando sufoco após perder a melhor volta com o composto macio, não dá para classificar com o duro.

Isso fez com que os pilotos chegassem ao Q3 com apenas um jogo de pneus macios novos – incluindo os que serão usados durante a corrida. Por isso e por sua dificuldade em aquecê-los, especialmente com a temperatura ambiente na casa dos 16ºC, a Ferrari decidiu fazer apenas uma tentativa. Mas nem isso ajudou os italianos. Quem chegou mais perto da Red Bull – ou de Vettel, uma vez que até Webber levou uma lavada incomum hoje – foi a McLaren. Curiosamente, com Hamilton, que andou em grande parte do final de semana atrás de Button. O vencedor dos últimos dois GPs na Austrália, no entanto, culpou o tráfego pela comunicação de rádio da equipe.

Vettel australian gp 2011

Vettel ficou quase 0s8 à frente de Hamilton - e sem usar o KERS

A manchete do Q1 foi a eliminação de Nick Heidfeld, sofrendo uma derrota para Petrov (9º na sessão) que Robert Kubica só levou uma vez em 19 GPs ano passado. É de se imaginar o que o polonês estaria fazendo com a Renault.

Outra surpresa foi a Lotus, a apenas 0s6 da Virgin e 2s atrás dos demais. E, no final das contas, Liuzzi ficou a dois segundos do concorrente mais próximo. Nada mal para quem ainda não havia dado uma volta cronometrada sequer.

Depois de passar boa parte da terceira sessão de treinos livres parado nos boxes por um problema no câmbio, Barrichello rodou no início do Q2 e ficou de fora do restante do treino. Seria a primeira das rodadas dos brasileiros, uma vez que Massa não ajudou nada a saúde de seus pneus no Q3 ao rodar logo na saída do pit.

O Q2 ainda traria algumas notícias que não são exatamente novidade. Di Resta já começou a colocar pressão em cima de Sutil, que errou em sua tentativa final e largará atrás do estreante; Alguersuari mais uma vez perdeu a disputa interna com Buemi – embora tenha evoluído bastante em classificações, seu ponto fraco, no final do ano passado; e Schumacher novamente ficou atrás de Rosberg, num dia em que a Mercedes prometia mais que um 11º e um 7º.

Melhor para Kobayashi, que colocou um mundo de distância em Perez para chegar ao Q3 pela Sauber.

O sábado de muitos erros e fritadas de pneus foi apenas o aperitivo para uma corrida em que estratégia e o cuidado com os Pirelli serão fundamentais, lembrando que muito da borracha utilizada por uns, destruída por outros, hoje será usada amanhã.

Mais uma vez, a McLaren tem que correr atrás do prejuízo

10 mar

Uma das grandes questões desta pré-temporada tem sido a McLaren. Não é a primeira vez que o time parece ao menos perdido, o que não necessariamente resultou em fiascos no passado, mas o desânimo de Lewis Hamilton e Jenson Button, somado à disparidade de voltas completadas em relação aos rivais diretos ao título cobre de dúvidas o real potencial do MP4-26.

Ao final dos treinos de ontem, o campeão de 2008 falou em limitar os danos no início do campeonato. “O carro pode melhorar. Se mantivermos o caminho certo no desenvolvimento durante diversas corridas, poderemos diminuir a distância e competir por vitórias. Se conseguirmos marcar pontos nas primeiras provas, ficando, por exemplo, no top 5, quando o carro for capaz de vencer corridas, o título ainda será possível. Então, definitivamente não estou desistindo do ano”.

O desafio da McLaren é compreender suas inovações

Seu companheiro também não anda muito otimista. “Há trabalho para ser feito para sermos tão rápidos quanto Red Bull, Ferrari e um ou dois times, mas estamos melhorando e é um ótimo sentimento. Ficaria surpreso se andarmos no ritmo de Red Bull e Ferrari em Melbourne, é pedir muito considerando a quilometragem e a performance nos testes até agora.”

Hamilton reclamou muito dos pneus e quem viu o carro na pista observou que os McLaren se movem mais que a concorrência, são mais ariscos, o que favorece o desgaste da borracha. Aparentemente, falta downforce para o carro.

O que dá para perceber é que a equipe tem tido problemas em quase todos os dias de testes. Ontem, por exemplo, Hamilton sofreu uma pane hidráulica e uma falha no escapamento. Assim, não conseguem evoluir na mesma proporção que os rivais, que têm passado constantemente da marca de 100 voltas por dia.

Em entrevista ao f1.com em 21 de fevereiro, o diretor Jonathan Neale indicou qual seria o caminho durante os testes. “A primeira tarefa é ter certeza de que o carro não tem gremlins que prejudiquem a quilometragem, que os números do túnel de vento batem com os da pista e que o carro é estável. Se você tem um problema, particularmente aerodinâmico, você tem que voltar e repensar até os updates que já estão preparados, pois terá que mudar a base. Por isso, todos nós trabalhamos para firmar nossa base.”

E parece que a base não está bem firmada. O time decidiu estrear o carro novo apenas na segunda bateria de testes, a fim de estabelecer uma boa comparação para os pneus Pirelli num carro já conhecido. Fez o lançamento do bólido de 2011 dia 4 de fevereiro e impressionou com as diferentes entradas de ar, tanto nos radiadores, quanto na carenagem.

Tanta inovação tem custado caro aos engenheiros, cuja dificuldade nos testes é compreendê-las. Até uma troca de peças para a avaliação de diferentes configurações tem dado dores de cabeça que projetos menos ambiciosos não geram. Além disso, muito tempo de pista foi perdido por falta de peças de reposição.

Até agora, o MP4-26 deu 741 voltas, contra 1211 da Red Bull e 1285 da Ferrari. Nenhum dos pilotos conseguiu ainda fazer uma simulação completa de corrida, ao mesmo tempo em que os rivais chegam a completar 2 por dia. Nada disso, no entanto, significa que o carro seja exatamente lento, como frisou o chefe Martin Witmarsh em entrevista publicada hoje. “Tivemos algumas dificuldades de confiabilidade durante os testes até agora, mas estamos confiantes de que estamos na direção certa agora.”

Cruzando todas essas informações, do sentimento dos pilotos de que este (ainda) não é um carro vencedor, com a explicação de Neale e Witmarsh, o tipo de dificuldade encontrada e os dados de quilometragem, parece que os planos iniciais devem ter sido refeitos e que a McLaren chegará à Austrália alguns passos atrás dos rivais, que já começam a fazer até simulações de classificação, buscando performance pura. Uma vez reencontrado o norte, o time terá que correr atrás do prejuízo para tirar a diferença.

A equipe sempre aparece com maneiras diferentes de coletar dados

Isso não quer dizer que o carro nasceu ruim, como o modelo de 2009, que tinha problemas fundamentais. Aliás, Hamilton se adiantou em dizer que se sente muito melhor com esse modelo em relação àquele, que começou a pré-temporada a cerca de 2,5s em relação aos líderes.

O déficit de desenvolvimento inicial se parece mais com o que aconteceu ano passado. Hamilton levou mais de 1s1 do pole Vettel na 1ª classificação de 2010 e, com um misto de boas estratégias e rápida evolução, a McLaren chegou à liderança entre os construtores ainda em maio.

Mesmo vendo a história se repetir – olhando para trás, é difícil lembrar de alguma temporada recente em que a McLaren tenha despontado como favorita na pré-temporada – Neale rebate as críticas e diz que está tudo sob controle. “Ano passado, jornalistas de menor reputação julgaram que estivéssemos com problemas devido ao número de sensores que usamos no carro. Nós somos muito mais disciplinados em relação a como usados os testes”. Provavelmente no último dia de testes, quando todos ensaiarem com pneus supermacios, pouco combustível e com todas as atualizações já prontas no carro, veremos o quanto há de disciplina e o quanto há de trabalho duro pela frente.

Vários jeitos de ver os 10 anos de Fernando Alonso na F1

9 mar

Os 10 anos de Fernando Alonso na F1, completados dia 4 de março, não passaram despercebidos por aqui, nem, é claro, em seu país natal. Diferentes foram as abordagens, cada um exagerando para um lado, em muitos exemplos de como não fazer jornalismo. Perseguido para uns, mau caráter para outros, não é de se estranhar que a verdade fique em segundo plano quando o objeto de discussão é um piloto que nunca fez muita questão de agradar.

Os espanhóis destacam que Alonso terminou sua primeira corrida, o GP da Austrália de 2001, de Minardi, a 2 voltas de um certo Michael Schumacher. Nunca havia feito uma curva sequer com o carro, cujo motor tinha 3 anos de defasagem. Sua volta mais rápida foi mais de 3s pior que do alemão que, em 5 anos, se converteria em seu rival pelo título. “Bernie Ecclestone o comparava com Ayrton Senna e a imprensa de todo o mundo dizia que se tratava de um novo campeão”, cita o jornal El Comercio, das Asturias. Ao fim daquela corrida, prossegue a publicação, Alonso “anunciou a essência de sua filosofia: ‘me ultrapassam carros, não pilotos’”.

O Diario AS destacou que a audiência da estreia do asturiano não chegou a 200.000 pessoas, nada comparado ao estouro que o esporte teria na Espanha nos anos seguintes, e definiu Alonso como “polêmico de longe, extrovertido de perto”.

Os jornais também destacam os números do bicampeão, que já é o 6º na história em número de vitórias e 5º em pódios. Neles, no entanto, assim como na matéria veiculada pelo canal de TV Antena 3, os pontos polêmicos da carreira de Alonso não são citados.

"Dos títulos con Renault, un infierno en McLaren y un futuro en Ferrari", é a definição do canal Antena3

O mesmo não acontece na TV La Sexta, que detém os direitos de transmissão da F1 na Espanha. No especial comemorativo da data, há uma página dedicada às sanções tomadas pelo piloto, numa lista que não deixou de fora sequer a penalização por atrapalhar Robert Doornbos na GP da Hungria de 2006. Surpreendentemente, tudo escrito sem tomar partido, ainda que o início do texto saliente que “o asturiano teve que se esforçar ao máximo para se tornar uma lenda do automobilismo, mas também sofreu inúmeros tropeços que impediram que aumentasse seu currículo”. O problema é terem ignorado o papel do espanhol no caso da espionagem em 2007.

O episódio também é ignorado pelo El Mundo, ainda que o “Alonsismo em 10 atos”, mais autoral, dê uma ideia muito boa da jornada do menino de Oviedo. É interessante como os espanhóis sofrem do mesmo complexo de vira-lata brasileiro, no melhor estilo “apenas um brasileirinho contra o mundo”. O texto salienta que Alonso, como Pau Gasol, Rafa Nadal e a seleção de futebol, levou a Espanha a feitos que antes só eram “dos outros”.

Há alguns dados interessantes, como o fato de Briatore ter conseguido que os direitos de transmissão fossem repassados de graça para a Espanha em 2003 – lembrando que não havia cobertura contínua até então – e como começou a briga entre Alonso e Ron Dennis, por uma caixa de câmbio quebrada no GP da França.

O único especial com material exclusivo, contudo, foi publicado em doses homeopáticas pelo Marca. A longa entrevista, disponibilizada no original pelo blog do Octeto, tem 5 partes, e gerou várias das manchetes nos sites brasileiros nos últimos dias (parte 1, 2, 3, 4 e 5). Os italianos (aqui e aqui) também usaram essas entrevistas, destacando a diferenciação que o piloto fez entre a McLaren e a Ferrari e as ligações com a Itália, que permeiam sua carreira na F1, passando pela Minardi e Briatore.

Aliás, se a ideia é mesmo saber o que os pilotos disseram e em que contexto o fizeram, o remédio é sempre procurar os originais.

Por mais que a imprensa daqui tente colocar brasileiros na história, a única pedra no sapato de Alonso não responde nem por Massa, nem por Piquet

Isso nos leva ao texto do portal UOL, cujo título já evoca “coleção de conquistas e desafetos”. Entre suas “frases polêmicas”, há uma “dedico o título para mim e mais ninguém”, que teria sido proferida depois do primeiro triunfo. De fato, uma declaração de Alonso na época deu o que falar, mas foi outra (retirada devidamente da transcrição da coletiva da FIA, de 25 de setembro de 2005): “acho que o título é o máximo que posso alcançar em minha vida, em minha carreira, e é graças a 3 ou 4 pessoas, não mais que isso”, referindo-se a seus pais, sua irmã e sua avó.

As conquistas são tratadas com desdém, fruto de “mudanças de regras como a ausência de trocas de pneus”, que prejudicaram a Ferrari. Com o que o site chama de desafetos, o espanhol daria uma de “João sem braço”. O engraçado é que o texto prossegue sem imputar culpa alguma a Alonso nos episódios citados, ao menos em relação aos brasileiros. E, novamente, ao falar do GP da Hungria de 2007, falta contexto e a questão das provas é omitida.

Curiosamente, na retrospectiva do portal Terra, quem leva a pior é Felipe Massa. De maneira errônea, o site aponta que Alonso já se colocava entre as Ferrari em 2004, citando Massa como um dos pilotos. Não seria Barrichello? Enfim, outra publicação, que, a exemplo da maioria das espanholas, decidiu tangenciar as polêmicas.

Apesar da imprensa brasileira tentar criar inimigos para Alonso entre os brasileiros, o rival de verdade do espanhol é Lewis Hamilton. Na terra do inglês, encontrei apenas uma matéria, no site especializado YallaF1. Ali, nada de juízos de valor. E se você quiser saber o que aconteceu naquele final de semana do GP da Hungria, que acabou com qualquer possibilidade do casamento Alonso e McLaren dar certo, terá que se esquivar de fontes brasileiras e espanholas. Embora Max Mosley provavelmente contaria uma história um pouco diferente, o texto é o que melhor apresenta os fatos.

As brigas internas de 2011: Ferrari e McLaren

6 mar

Continuando o post anterior, sobre as rivalidades que nos esperam em 2011, a dinâmica que mais interessa aos brasileiros é a que ocorre dentro da Ferrari, entre o já não tão queridinho Felipe Massa e o inimigo da nação, Fernando Alonso.

Massa x Alonso

Talvez seja o desfecho mais imprevisível do ano. Será que os pneus Pirelli removerão toda a diferença que marcou 2010? Quais serão os desdobramentos da ordem de equipe na imagem que Felipe tem dentro da equipe e perante si mesmo? O quanto vai pesar o trabalho que Alonso fez ano passado de trazer a equipe para seu lado? Será que isso só dura enquanto ele andar na frente?

O fato é que a Ferrari contratou Alonso sabendo o que vinha no pacote. Sua experiência dividindo as atenções com Hamilton na McLaren não foi nenhum conto de fadas e sua maneira absolutista de trabalhar acabou se encaixando como uma luva no modo de pensar ferrarista. No final das contas, é inegável que o espanhol – ajudado pelos erros da Red Bull, claro – levou a Scuderia a disputar um título com o qual a performance do carro não permitia sonhar. E que a falha em Abu Dhabi gerou um sentimento de débito do time com o piloto, embora este tenha cometido erros tolos no início do ano.

“Não posso falar que estou feliz da vida, porque, para mim, a felicidade é a vitória. Não corro aqui para chegar em segundo”. Felipe Massa, após o GP da Alemanha de 2010.

“É provavelmente a maior vantagem que tive sobre um companheiro e isso me deixa feliz”. Fernando Alonso sobre seu desempenho em 2010.

Do outro lado do box, um piloto cujo contrato termina ao final de 2012 e que foi humilhado ano passado. Tanto nas vezes em que teve que ouvir que era mais lento, quanto por indiretas nada sutis do chefe, que afirmou pensar que era seu irmão quem estava ao volante.

Felipe tem um incômodo histórico: em 5 anos de Ferrari, viu seu time disputar o título de pilotos até a última etapa 4 vezes, sendo que em 3 delas eram seus companheiros que estavam na briga – mesmo que 2 deles fizessem seu 1º ano na equipe. Conhecido como um guerreiro, é de se esperar que Massa esteja se concentrando em dar a resposta na pista. Afinal, iniciando sua 6ª temporada como titular na Ferrari, o brasileiro bem sabe que as crises se dissipam tão rapidamente quanto chegam em Maranello. Sabe também que, se repetir 2010, não deve se segurar por lá e, na pior das hipóteses, tem que render para valorizar seu passe numa possível transferência.

Resta saber qual o interesse da equipe nessa possível recuperação. Pelo menos, na Ferrari, não haverá surpresas: quem estiver na frente na metade do campeonato terá clara prioridade. É assim que o esporte funciona para os italianos.

Hamilton x Button

A postura não poderia ser mais diferente na McLaren. A constante necessidade de mostrar o quão igualitário é o tratamento entre pilotos e o quão bem se relacionam Lewis Hamilton e Jenson Button já deixou muita gente desconfiada. No entanto, se houve qualquer problema entre os dois em 2010, são atores de primeira.

“Aquele cara nunca desiste. Ele é como um pitpull”. Jenson Button descreve Lewis Hamilton.

“A McLaren está encantada com Lewis e Jenson. Na verdade, acho que eles causam inveja às outras equipes”. Martin Witmarsh.

Embora haja uma grande rivalidade entre seus fãs na Inglaterra, Hamilton e Button acabam, tanto atraindo públicos diferentes fora das pistas, quanto trilhando caminhos opostos dentro delas. Enquanto Button é o homem das decisões e oportunidades, Hamilton é o cara dos riscos, das voltas impossíveis. A vantagem para a Ferrari na pontuação ano passado, apesar da performance similar dos carros, mostra o quanto isso é benéfico à equipe.

Há quem acredite que estilos tão diferentes acabem perturbando o foco do desenvolvimento do carro que, aliás, foi o ponto fraco de 2010. Por outro lado, se há um time com capacidade técnica para suplantar necessidades tão distintas, é a McLaren.

Em 2010, vimos muito do impressionante Hamilton de 2007, o que comprova a teoria de que um bom companheiro de equipe é tudo o que um piloto precisa para dar o melhor de si. O mesmo pode ser dito sobre Button, que chegou a impressionar mais nas corridas no molhado do início do ano que em sua campanha inteira pelo título. Resta saber o quanto o fato do campeão de 2009 já estar adaptado e ter dado pitacos desde o início do projeto de 2011 pode mudar a dinâmica entre os dois, uma vez que, apesar da diplomacia, ninguém duvida que o território prateado tenha dono.

Patrocinar uma grande equipe é um ótimo negócio

25 fev

Mesmo que anunciar na F1 não seja nada barato, é altamente lucrativo. Até a Red Bull, cujo tipo de investimento na categoria não é nada ortodoxo, teve um ganho em chamado “valor de exposição” maior que o orçamento de suas duas equipes somadas: US$ 345 milhões gastos contra US$ 366,6 milhões obtidos em termos de imagem. Isso sem contar nas cifras acumuladas pelo título de construtores e pelas demais cotas de patrocínio que ambos os carros ostentaram durante o ano.

Também, pudera. A categoria comemorou mais um ano de crescimento em sua audiência, chegando aos 527 milhões de espectadores em 2010. Os números do ano passado não foram divulgados oficialmente, mas acredita-se que não tenham passado dos 520 milhões. Os dados desse ano significam que cerca de 27,7 milhões de pessoas estavam ligadas em cada corrida, em média. Isso, nos 188 países que recebem as transmissões da categoria.

Ganhar dinheiro de forma pouco convencional é a especialidade da Red Bull

O “valor de exposição” é o cálculo do tempo que a marca apareceu durante as transmissões transformado na quantia que seria paga caso a empresa tivesse optado por comprar uma cota publicitária de TV. Os números da Red Bull sugerem um retorno de 150% em relação ao valor investido, tanto na equipe principal, quanto na Toro Rosso. A marca monopolizou nada menos que 30,5% de toda a exposição durante as etapas do mundial, o que é explicado pelo fato de estar presente em dois times, mas principalmente por um deles ser o carro mais rápido do grid.

Melhores retornos de patrocínios em 2010

Marca Equipe Valor de exposição estimado
1º Red Bull Red Bull, Toro Rosso US$ 366,6 milhões
2º Vodafone McLaren US$ 122,4 milhões
3º Santander Ferrari US$ 99,3 milhões
4º Petronas Mercedes US$ 85,4 milhões
5º Renault Renault, Red Bull US$ 69,3 milhões

Não por acaso, as equipes arrecadam grande parte de seu orçamento com patrocínio, e as cotas dos grandes times são bem mais salgadas. Uma parceria com a extensão da Vodafone – que, inclusive, dá nome à McLaren – ou do Santander na Ferrari sai entre 50 e 70 milhões de dólares ao ano. Em 2010, enquanto a primeira teve retorno de 190% do investimento, o banco espanhol chegou aos 200%. Num acordo fechado há mais tempo, antes da crise financeira, estima-se que a Phillip Morris pague cerca de US$ 100 milhões por sua propaganda subliminar nos carros vermelhos.

Além de lucro, a parceria entre McLaren e Vodafone ainda rendeu boas risadas:

Mas não é preciso investir tanto para colocar seu nome num carro de F1 – ao menos que não se importe de ter um espaço menos visível e/ou numa equipe que apareça menos. As 141 marcas que patrocinam as 12 equipes tiveram uma exposição conjunta em 2010 que vale US$ 1,2 bilhão, média de US$ 62 milhões por GP. Cada uma delas injeta, em média, US$ 4,31 milhões ao ano – ou US$ 607,710 milhões ao todo. Ou seja, tem muita gente fazendo dinheiro por meio da categoria.

No entanto, há uma certa dose de risco envolvido. É fato que um grande patrocinador de uma das equipes que dominam o campeonato terá muita visibilidade. Mas, se sua empresa não tiver muita bala na agulha, o retorno não é tão garantido, pois sua marca pode ficar escondida no meio do pelotão e, assim, uma ferramenta de marketing mais tradicional, como os comerciais de TV, por exemplo, pode ser mais lucrativa. Por isso, as equipes pequenas têm mais dificuldade em prospectar clientes.

Red Bull e Ferrari um passo à frente de Mercedes e McLaren

22 fev

Tudo indica que Adrian Newey acertou a mão outra vez

Sabemos que uma equipe tem um bom teste quando não passa por muitos problemas, não necessariamente quando seus carros lideram a tabela de tempos. E, nesta ótica, Red Bull e – um degrau abaixo – Ferrari têm motivos para estarem confiantes ao menos para este início de temporada.

Vendo os carros desfilarem pelo circuito de Barcelona, o comentarista da TV britânica e ex-piloto Martin Brundle fez a seguinte análise: “A Mercedes tem tração ruim, a McLaren parece como se estivesse em pneus frios o tempo todo, as demais balançando”. Fica óbvio que todos têm trabalho a fazer.

É claro que ainda há tempo para se encontrar em meio aos dados coletados nestas 3 sessões de testes e acrescentar pacotes, principalmente aerodinâmicos, que podem mudar a história daqui para frente, mas, ao mesmo tempo em que Red Bull e Ferrari apresentam boa confiabilidade e bom ritmo nos long runs (várias voltas em sequência, simulando situações de corrida), McLaren e Mercedes acumulam problemas.

Os alemães pareceram evoluir nestes 4 dias de testes em Barcelona, completando 427 voltas e algumas simulações. No entanto, não se livraram totalmente do que os ingleses chamam de “gremlins” no carro, especialmente em seu KERS, e também não chegaram a empolgar no ritmo dos long runs. O diretor Norbert Haug admitiu que, se o campeonato começasse hoje, seus pilotos estariam fora do top 10. Pode estar blefando, mas parece que a briga da flecha de prata é mais com a Renault que com os times dominantes.

Quanto as equipes andaram até agora nos testes

Equipe Voltas em Barcelona Total
Ferrari 435 1184
Red Bull 349 1002
Mercedes 427 968
Sauber 392 926
Renault 363 867
Force India* 272 863
Williams 351 863
Toro Rosso 317 847
McLaren* 331 843
Virgin 329 764
Lotus 251 429
Hispania** 188 375

*usaram o carro do ano passado nos primeiros testes

**ainda não estreou o carro de 2011

Embora também use o KERS Mercedes, a McLaren pode, ao menos, confiar no equipamento. Seus problemas são outros, decorrentes do risco assumido com o novo projeto: de tão inovador, qualquer pequena mudança se torna uma odisseia para os engenheiros. Além de ter lançado o carro após o primeiro teste, a equipe também se mostra indecisa em relação a qual a melhor saída para os escapamentos – o que demanda tempo: o time demorou 2h para reposicionar o escapamento no teste de Jerez. Nada disso ajuda a garantir quilometragem. Hamilton conseguiu, enfim, cruzar a barreira das 100 voltas no último dia de Barcelona, mas o time contabilizou apenas 331 nos 4 dias.

McLaren anda sofrendo com carro inovador

Para exemplificar os problemas do time de Woking, no sábado Hamilton deveria fazer uma saída de 11 voltas. Ao invés de fazê-las em sequência, a cada uma que completava, voltava aos pits para mexer no carro. Terminou o dia um pouco cabisbaixo. “Vejo o Webber fazer 139 voltas e só posso rir”, admitiu. O inglês também parece, observando seu ritmo nas saídas mais longas que fez até agora, estar castigando mais os pneus que os rivais. Na próxima bateria de testes, a partir do dia 8 de março, poderemos ter uma ideia melhor do verdadeiro ritmo da McLaren.

A volta de Felipe Massa no final do treino de Barcelona foi numa simulação de classificação mas, como a Red Bull ainda não tirou o máximo do carro, seu melhor tempo entre os 4 dias não quer dizer muita coisa. Os engenheiros acreditam que os atuais campeões mundiais estejam 0.4s à frente da Ferrari. Como o melhor tempo do 3º dia, de Nico Rosberg, também foi resultado de um ensaio de uma volta lançada, podemos dizer que a Mercedes, 0s5 mais lenta que a Ferrari, tem muito trabalho pela frente.

Alguersuari disse acreditar que a Toro Rosso está à frente entre as intermediárias. Curiosamente, o espanhol afirmou que seu carro está entre 0.8s a 1s dos Red Bull, enquanto Rubens Barrichello vê 0.7s entre sua Williams e os atuais campeões. O fato é que ambas as equipes parecem ter melhorado, embora o KERS esteja dando uma dor de cabeça e tanto ao time do brasileiro.

Como a Sauber se beneficiou do uso de todo o conjunto traseiro da Ferrari, incluindo a suspensão, é esperado que a equipe de Kobayashi e Perez também deixe a Force India para trás.

É difícil julgar o ritmo da Lotus, que tem mostrado velocidade – calcula-se que o time tenha ganhado 1s em relação ao ano passado – e falta de confiabilidade. O fato de andarem sem o KERS no início da temporada pode custar caro, principalmente nas largadas. A Virgin, por outro lado, tem conseguido dar diversas voltas, mas fica devendo no quesito performance.

Turma de 2011: McLaren

4 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 2º, 454 pontos
Melhor resultado: 1º (5 vezes, 3 com Hamilton e 2 com Button)
O que levar para 2011: forte dupla de pilotos e estratégias inteligentes
O que esquecer: falhas no desenvolvimento

Coração

Lewis Hamilton
Stevenage, Inglaterra, 07.01.1985
71 GPs
14 vitórias
Por que Hamilton: extremamente rápido e arrojado
Em 2010: 4º, 240 pontos
O que levar para 2011: as ultrapassagens incríveis
O que esquecer: os erros sob pressão

 

Cabeça

Jenson Button
Frome, Inglaterra, 19.01.1980
191 GPs
9 vitórias
Por que Button: estilo suave e pilotagem inteligente
Em 2010: 5º, 214 pontos
O que levar para 2011: a capacidade de fazer longos stints com pneus macios
O que esquecer: performance nas classificações

 

2010 era um ano promissor para a McLaren: depois de um super agressivo padrão de desenvolvimento em 2009, o time inglês havia terminado a temporada entre os primeiros colocados e contava com o reforço do atual campeão mundial, Jenson Button, que uniria forças ao dono do título de 2008, Lewis Hamilton. Pilotos fortes, carro bem encaminhado, o melhor motor, uma grande estrutura. Mas o ano não fluiu como o esperado. Se na primeira metade da temporada a McLaren estava próxima o bastante para conseguir se aproveitar das oportunidades que os rivais e o clima deram, após as frustradas tentativas de encaixar o escapamento soprado no difusor, cópia da Red Bull, a performance do time ficou dependente de eventuais características de circuitos ou performances perfeitas de seus pilotos.

Com um carro abaixo dos rivais, nem mesmo os dois últimos campeões mundiais até então mantiveram o padrão de pilotagem. Button passou a se classificar muito mal e Hamilton cometeu erros infantis durante as provas. No final das contas, a McLaren ficou no lucro o 2º lugar no mundial de construtores e uma boa fatia de dinheiro para 2011.

Mas é clara a intenção em mudar esse cenário. O MP4/26 tem um visual arrojado, com entradas de ar em forma de U e outra na carenagem do motor – a ideia é ter a maior quantidade possível de ar de “bom”, como definiu o diretor técnico Paddy Lowe, no assoalho, para suprir a falta do difusor duplo. O bico também traz modificações e a distância entre eixos é maior, mas a equipe jura que os verdadeiros segredos estão escondidos dentro do carro e admite que o escapamento ainda não está pronto, alimentando os boatos de que adotarão uma saída semelhante à Renault.

Se o que deixou a desejar ano passado foi o carro e seu desenvolvimento, pelo menos desta vez eles não podem ser acusados de não tentar.

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