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De onde vieram e onde podem chegar os estreantes de 2011

23 mar

Há 10 anos, integravam o time de estreantes ninguém menos que Kimi Raikkonen, Juan Pablo Montoya e Fernando Alonso – numa turma que incluía ainda o brasileiro Enrique Bernoldi. Apenas o último continua na categoria, mas os três certamente deixaram sua marca, seja pelo arrojo, pelas grandes vitórias, pelos títulos, pelas polêmicas, ou por um certo desprezo pelo circo, que acabou levando os dois primeiros para outros caminhos.

alonso raikkonen montoya bernoldi rookies 2001

Há 10 anos, estreavam nada menos que 2 futuros campeões do mundo

Neste final de semana, estream outros 4 pilotos: Pastor Maldonado, Sergio Perez, Paul Di Resta e Jerome D’Ambrosio. Será que algum destes um dia chegará ao título?

É impressionante como os tempos são outros. Raikkonen, principalmente, e Alonso são exemplos de uma geração que sofreu com a decadência das F-3 na época e andou muito pouco com monopostos antes de chegar na Fórmula 1. Contudo, quando chegaram, podiam testar muito mais – o espanhol estreou aos 19 anos, 2 depois de sair dos karts, sem fazer uma curva sequer num F1, mas, em 2002, fez um ano inteiro como piloto de testes, enquanto o finlandês só tinha 20 corridas no currículo antes do GP da Austrália de 2001, e de F-Renault!

Entre os estreantes de hoje, o menos experimentado é Paul Di Resta. Mesmo assim, o escocês já soma seis anos longe dos karts. Em contrapartida, a quilometragem dos novatos com carros de F1 é bem menor.

E, para quem diz que ser piloto de testes hoje não vale mais nada, é interessante observar que apenas Perez fez sua estreia durante os ensaios destinados a jovens pilotos, em Abu Dhabi, no final do ano passado. Maldonado andou pela primeira vez de F1 em 2004, pela Minardi, enquanto Di Resta e D’Ambrosio eram test drivers e participaram de algumas sessões de treinos livres ano passado.

Embora essas questões sejam complexas (como já discutimos aqui aqui e aqui), apenas Di Resta se afasta da imagem de piloto pagante. O mexicano Perez e o venezuelano Maldonado são bancados por gigantes de seus países de origem (a Telmex, do ramo de comunicações, e a petrolífera PDVSA, respectivamente). O belga D’Ambrosio é um dos pilotos da agência Gravity – um dos braços da Genni, proprietária da Renault – e pagou pouco mais de R$ 10 milhões pela vaga.

Em relação aos currículos, Di Resta e Perez são os que melhor fizeram a lição de casa até aqui. O escocês tinha como companheiro ninguém menos que Sebastian Vettel quando foi campeão da F3 Euroseries, em 2006; nos anos seguintes, correndo na equilibradíssima DTM, teve uma ascensão meteórica (5º no primeiro ano, com um carro defasado, depois 2º, 3º e 1º). Chega à F1 numa equipe que vinha em franca ascensão até o ano passado, quando sofreu com a saída de algumas peças-chave na engenharia; tem um companheiro que leva dinheiro à equipe e pode esperar muita pressão: a Force India precisa aproveitar qualquer chance que tiver de pontuar.

Vettel  Hamilton Di Resta f3 euroseries

Di Resta correu contra Vettel e Hamilton na F3 Euroseries, entre 2005 e 2006. Lewis ganhou o 1º round e o escocês, o 2º

Já Perez dominou completamente o campeonato da F3 Inglesa e levou o título em seu ano de estreia, em 2007, além, é claro, do vice na GP2 ano passado. Ao lado de Kobayashi, chega numa Sauber bem mais sadia financeiramente em relação a 2010.

Maldonado teve uma dura e longa fase de aprendizado na GP2 antes de tornar-se campeão, em 2010 (antes, foi 11º, 5º e 6º), ao passo que D’Ambrosio nunca brilhou (foi 11º em seu ano de estreia, 9º em 2009 e 12º no ano passado) na categoria que é o último passo antes da F1 e que já teve como campeões Rosberg, Hamilton e Hulkenberg.

O venezuelano provavelmente terá o melhor carro dos 4, um Williams, e um belo professor como companheiro de equipe. Rubens Barrichello, inclusive, falou bem do novato em entrevista ao TotalRace. Por sua vez, o belga estreia numa equipe que faz seu segundo ano, a Virgin, e tem em Timo Glock um companheiro experiente e consistente.

Saiba mais sobre os estreantes nos previews da temporada:

Pastor Maldonado
Sergio Perez
Paul Di Resta
Jerome d’Ambrosio

Turma de 2011: Hispania

9 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 11º, 0 pontos
Melhor resultado: 14º (3 vezes, duas com Chandhok e 1 com Senna)
O que levar para 2011: instinto de sobrevivência
O que esquecer: absolutamente todo o resto

Quem tá vivo aparece

Narain Karthikeyan
Chennai, Índia, 14.01.1977
19 GPs
Por que Karthikeyan: nada explica a escolha, além do dinheiro indiano
Em 2010: correu 9 das 25 etapas da Nascar Truck Series e foi eleito o piloto mais popular

 

Karun Chandhok não tinha dado uma volta sequer em seu Hispania quando entrou na pista para a primeira classificação de 2010, no Bahrein. Isso já explica a situação do time, que começou como um bom projeto, nas mãos do ex-piloto Adrian Campos, e hoje segue por caminhos desconhecidos, comandada pelo empresário José Ramón Carabante e o engenheiro mal encarado Colin Kolles. O carro, que no ano passado não contou com nenhuma evolução no ano todo – nem a asa dianteira foi modificada, de Mônaco a Monza – não deve sofrer exatamente uma revolução em 2011.

Tudo bem que o projeto antigo era da Dallara e o novo foi desenvolvido por engenheiro ex-Honda e Red Bull Geoff Willis, além de contar com transmissão e câmbio da Williams. No entanto, diante da prometida evolução dos Virgin e Lotus e do péssimo exemplo de gerência que Kolles deu em 2010, mesclando seus 4 pilotos a esmo, é difícil imaginar que o time saia da última fila do grid.

As imagens em computador divulgadas até agora apontam para algo que parece mais um carro de F1 que o do ano passado, com mais detalhamento aerodinâmico. O bico é mais baixo, a exemplo do Virgin, e a carenagem do motor é mais longa, como o Red Bull. Mas o que mais chamou a atenção foram as mensagens chamando patrocínios. Frases como “Your logo here”, “This is a cool spot” estavam espalhadas pelo carro. Pelo menos o departamento de marketing vem tendo ideias novas.

Curiosamente, a equipe decidiu não ir a Jerez e fazer uma filmagem promocional para a Pirelli em Monza e só volta à pista com os demais em Barcelona – tudo com o modelo do ano passado, é claro.  O carro deste ano só vai para a pista na última bateria de testes, no Bahrein, a partir de 3 de março.

Não é nenhum carro virtual ou cores mais chamativas que vão tirar a impressão de que é muito provável que eles não larguem em muitos GPs, tendo em vista que a regra dos 107% volta em 2011. Como ano passado a Hispania teve pelo menos um de seus carros com marcas acima de 7% mais lentas que o dono do melhor tempo no Q1 em 9 dos 19 GPs, é improvável que o cenário mude drasticamente. E não largar seria, comercialmente, um desastre para a equipe.

A contratação de Narain Karthikeyan não ajuda muito nesse sentido. O indiano de 34 anos teve uma passagem na F1, em 2005, pela Jordan, e fez 5 pontos em 19 corridas. Não deixou saudade. Mas, com o apoio da montadora Tata, está de volta. Seu companheiro ainda não foi anunciado. O projeto é tão falho que falta até quem queira pagar para correr nele.

Turma de 2011: Force India

8 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 7º, 68 pontos
Melhor resultado: 5º (2 vezes, com Sutil)
O que levar para 2011: o rendimento da 1ª metade do campeonato
O que esquecer: perda de peças importantes do corpo técnico

Montanha russa

Adrian Sutil
Stamberg, Alemanha, 11.01.1983
71 GPs
Por que Sutil: precisa mostrar serviço depois de um final de 2010 difícil
Em 2010: 11º, 47 pontos
O que levar para 2011: a evolução que mostrou de 2007 a 2009
O que esquecer: tentativas desastradas de guiar mais que o carro

 

Com moral

Paul di Resta
Livingston, Inglaterra, 16.04.1986
Estreia em 2011
Por que Di Resta: bateu Vettel quando foram companheiros na F3 Euroseries e é considerado um piloto de ótimo feedback pelos engenheiros
Em 2010: campeão da DTM

A Force India tem que decidir de que lado está. Se continuará o linha ascendente que teve em seus primeiros 3 anos e meio de vida, saindo do fundão do grid para o pódio solitário com Fisichella na Bélgica em 2009. Ou se entra na briga com a Toro Rosso por uma vaga no Q1. A ex-Jordan e Spyker trilhava um bom caminho, tendo à disposição o motor Mercedes e a colaboração técnica da McLaren, mas perdeu muito com a debandada de engenheiros no meio da temporada passada. Com a saída, especialmente de James Key, que acabou arrumando a casa da Sauber, o desenvolvimento do carro ficou comprometido e a equipe acabou perdendo, por 1 ponto, o 6º lugar entre os construtores para a Williams.

É de se imaginar que o projeto deste ano também tenha sido comprometido, feito em meio a profundas mudanças estruturais. Mas o ótimo motor e a parceria com a McLaren continuam de pé, além do time contar com uma competente dupla de pilotos.

Adrian Sutil mostrou em suas 4 temporadas na F1 que tem a competência para aproveitar oportunidades de levar pontos importantes para casa. É claro que fez suas trapalhadas e tem o péssimo hábito de tentar guiar mais que o carro, mas é um bom parâmetro para seu novo companheiro, Paul di Resta. O escocês de 24 anos chega gabaritado pelo bom retorno que deu aos engenheiros da Force India quando testou o carro às sextas-feiras em 2010, pela vitória no mano a mano com Vettel na F3 Euroseries e o recente título da concorrida DTM. Porém, são justamente os 4 anos que passou disputando apenas o campeonato de turismo que podem atrapalhar um pouco seu “ritmo de jogo” em monopostos no início. Se um dos dois ficarem aquém do esperado, Nico Hulkenberg estará mais que pronto para assumir o cockpit. É certamente a line-up mais forte do meio do grid.

Até por isso, a equipe fala em lutar pelo 5º lugar no grid neste ano, ou seja, se embolar com Renault e Mercedes. Pelo menos à primeira vista, o carro lançado hoje não parece correr muitos riscos. O único detalhe que chama a atenção é a entrada de ar acima da cabeça do piloto dividida ao meio, solução trazida pela Mercedes em 2010 – e abandonada neste ano. Nos testes de Jerez, veremos se o novo Force India é confiável; em Barcelona e no Bahrein, se almejar o 5º lugar é sonhar alto demais.

Turma de 2011: Virgin

7 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 12º, 0 pontos
Melhor resultado: 14º (2 vezes, com Glock e Di Grassi)
O que levar para 2011: continuar melhora da parte final do ano
O que esquecer: confiabilidade e erros de projeto

Peso nas costas

Timo Glock
Lindenfels, Alemanha, 18.03.1982
55 GPs
Por que Glock: rápido e consistente, parece ter tirado tudo do carro ano passado
Em 2010: 24º, 0 pontos
O que levar para 2011: ótimas classificações
O que esquecer: perdeu algumas oportunidades de terminar mais à frente em corridas

 

O que vier é lucro

Jéróme D’Ambrosio
Etterbeek, Bélgica, 27.12.1985
Estreia em 2011
Por que D’Ambrosio: pagando bem…
Em 2010: 11º na GP2

 

O primeiro carro de F1 inteiramente desenhado no computador, com o apoio da Fluidodinâmica Computacional, ou CFD, passou vergonha em seu primeiro ano. Os engenheiros da Wirth Research, empresa do diretor técnico da Virgin, Nick Wirth, erraram nada menos que o tamanho do tanque de combustível. Contudo, o carro evoluiu durante o ano, mesmo que num ritmo inferior em relação a seu concorrente direto, a Lotus. O último lugar no campeonato de construtores se deve mais à falta de sorte que qualquer outro fator: o Virgin dos competentes Timo Glock e Lucas Di Grassi (particularmente prejudicado pelo fato da equipe não ter recursos para dar equipamentos iguais aos pilotos) era bem mais rápido que o Hispania.

Mas a equipe tem dois bons motivos para acreditar num 2011 melhor. A Wirth Research aumentou sua capacidade técnica e hoje se proclama como o maior centro de CFD do mundo, enquanto a montadora russa Marussia se tornou title sponsor do time e promete mais investimento. Como dinheiro nunca é bastante, a Virgin ainda foi atrás do belga Jéróme D’Ambrosio para fechar um orçamento melhor em 2011.

Como mesmo contar com um piloto pagante tem seu preço e D’Ambrosio pouco deve aportar – o piloto foi 11º na última temporada da GP2, sua 3ª numa categoria em que nunca brilhou – resta se apoiar na capacidade de Glock, que se mostrou bem nas classificações e consistente nas corridas em 2010. O time não ousou muito em seu carro. O detalhe que salta aos olhos é o bico mais baixo, indo na contramão dos demais projetos lançados até o momento. Pelo menos a parte traseira parece compacta, outra forte tendência desse ano. A novidade do carro é a saída de seus escapamentos, unidos até o difusor. A Virgin chegou a testar a saída da Renault no simulador, mas acredita que sua solução é melhor.

Seu objetivo é um tanto humilde: um 12º, talvez 1 ponto, qualquer migalha serve para definir a batalha pela 10ª colocação – a última das que garantem dinheiro – no mundial de construtores.

Turma de 2011: McLaren

4 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 2º, 454 pontos
Melhor resultado: 1º (5 vezes, 3 com Hamilton e 2 com Button)
O que levar para 2011: forte dupla de pilotos e estratégias inteligentes
O que esquecer: falhas no desenvolvimento

Coração

Lewis Hamilton
Stevenage, Inglaterra, 07.01.1985
71 GPs
14 vitórias
Por que Hamilton: extremamente rápido e arrojado
Em 2010: 4º, 240 pontos
O que levar para 2011: as ultrapassagens incríveis
O que esquecer: os erros sob pressão

 

Cabeça

Jenson Button
Frome, Inglaterra, 19.01.1980
191 GPs
9 vitórias
Por que Button: estilo suave e pilotagem inteligente
Em 2010: 5º, 214 pontos
O que levar para 2011: a capacidade de fazer longos stints com pneus macios
O que esquecer: performance nas classificações

 

2010 era um ano promissor para a McLaren: depois de um super agressivo padrão de desenvolvimento em 2009, o time inglês havia terminado a temporada entre os primeiros colocados e contava com o reforço do atual campeão mundial, Jenson Button, que uniria forças ao dono do título de 2008, Lewis Hamilton. Pilotos fortes, carro bem encaminhado, o melhor motor, uma grande estrutura. Mas o ano não fluiu como o esperado. Se na primeira metade da temporada a McLaren estava próxima o bastante para conseguir se aproveitar das oportunidades que os rivais e o clima deram, após as frustradas tentativas de encaixar o escapamento soprado no difusor, cópia da Red Bull, a performance do time ficou dependente de eventuais características de circuitos ou performances perfeitas de seus pilotos.

Com um carro abaixo dos rivais, nem mesmo os dois últimos campeões mundiais até então mantiveram o padrão de pilotagem. Button passou a se classificar muito mal e Hamilton cometeu erros infantis durante as provas. No final das contas, a McLaren ficou no lucro o 2º lugar no mundial de construtores e uma boa fatia de dinheiro para 2011.

Mas é clara a intenção em mudar esse cenário. O MP4/26 tem um visual arrojado, com entradas de ar em forma de U e outra na carenagem do motor – a ideia é ter a maior quantidade possível de ar de “bom”, como definiu o diretor técnico Paddy Lowe, no assoalho, para suprir a falta do difusor duplo. O bico também traz modificações e a distância entre eixos é maior, mas a equipe jura que os verdadeiros segredos estão escondidos dentro do carro e admite que o escapamento ainda não está pronto, alimentando os boatos de que adotarão uma saída semelhante à Renault.

Se o que deixou a desejar ano passado foi o carro e seu desenvolvimento, pelo menos desta vez eles não podem ser acusados de não tentar.

Turma de 2011: Toro Rosso

3 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 9º, 13 pontos
Melhor resultado: 8º (1 vez, com Buemi)
O que levar para 2011: aproveitar que os pilotos têm que mostrar serviço
O que esquecer: falta de desenvolvimento

Ano decisivo 1

Jaime Algursuari
Barcelona, Espanha, 23.03.1990
27 GPs
Por que Alguersuari: piloto muito jovem, em plena evolução
Em 2010: 19º, 5 pontos
O que levar para 2011: a melhora no ritmo de classificação
O que esquecer: desperdiçar chances de pontuar

 

Ano decisivo 2

Sebastien Buemi
Aigle, Suíça, 31.10.1988
36 GPs
Por que Buemi: é uma pergunta que ele tem que responder neste ano
Em 2010: 16º, 8 pontos
O que levar para 2011: tornar os lampejos nas corridas mais comuns
O que esquecer: tendência em se envolver em acidentes

A Toro Rosso passa por uma transição técnica nada fácil. Passaram de equipe satélite da Red Bull para independente. Isso significa que o time teve que criar uma equipe de projetistas e começar um carro do zero. Depois de um ano mais conservador, chegou a hora de dar um passo adiante. De um carro que sequer contava com o duto aerodinâmico até o final da temporada passada, para um 2011 animador, com um pacote que inclui o KERS da Ferrari.

O novo Toro Rosso não teve muitos problemas técnicos

Animador em termos, claro. O objetivo da Toro Rosso é o 8º lugar no mundial de construtores. Teoricamente, só precisam ultrapassar a Sauber para consegui-lo, mas o ótimo pacote da Lotus e a promessa de um grande upgrade na estrutura de concepção do carro da Virgin fazem com que a primeira prioridade seja evitar ser ultrapassada pelas equipes que estrearam em 2010.
O carro é o primeiro totalmente idealizado e construído na fábrica de Faenza desde o Minardi de 2005. Os sidepods possuem uma curvatura interessante, visando ganho de downforce, e a geometria de suspensão escolhida é a pull rod, diferentemente do outro cliente da Ferrari, a Sauber, e da própria Scuderia. Novidades à parte, o fato é que a equipe já começa um pouco atrás: apesar de ter estreado o KERS em Valência, a asa traseira móvel só chega nos testes de Jerez, a partir do dia 10.02.

 

Um desenho diferente dos sidepods

Pilotando para a principal candidata à última vaga entre os eliminados no Q1 e já sem poderem ser considerados estreantes, Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi sabem que sofrerão pressão de todos os lados. De um, o sonho de ganhar a promoção para a Red Bull, com a possível aposentadoria de Webber. De outro, a sombra de Daniel Ricciardo, piloto reserva da equipe principal das latinhas, que pilotará o Toro Rosso às sextas-feiras.

Turma de 2011: Mercedes

3 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 4º, 214 pontos
Melhor resultado: 3º (3 vezes, todas com Rosberg)
O que levar para 2011: confiabilidade
O que esquecer: carro difícil de acertar

Panela velha

Michael Schumacher
Hürth-Hermülheim, Alemanha, 03.01.1969
269 GPs
91 vitórias
Por que Schumacher: deve ser a tradução de agressivo em alemão
Em 2010: 9º, 72 pontos
O que levar para 2011: o ritmo de corrida das últimas provas
O que esquecer: todo o resto

Ganhando espaço

Nico Rosberg
Wiesbaden, Alemanha, 27.06.1985
89 GPs
Por que Rosberg: inteligente e constante, dificilmente erra
Em 2010: 7º, 142 pontos
O que levar para 2011: a tendência em ficar longe de confusões
O que esquecer: excesso de zelo no mano a mano

A queda no rendimento nas últimas corridas de 2009, depois de um início arrasador sob o nome de Brawn, já anunciava os dias difíceis que viriam. A obra-prima, que havia sido desenvolvida com os rios de dinheiro da Honda, não teve como seguir seu crescimento com a drástica redução de pessoal entre 2008 e 2009. Com a chegada da Mercedes, ao final do ano (quando o desenvolvimento do carro de 2010 já estava bem adiantado), o time tomou a decisão de continuar compacto, já de olho nas restrições do acordo de restrição de gastos, que prevê, entre outras medidas, corte de pessoal.

O W02 apresentou alguns problemas técnicos no início dos testes

Por essas e outras, é compreensível que o mesmo time que espantou a todos no início de 2009 tenha despencado em 2011. A campanha foi ainda mais prejudicada pela difícil readaptação de Michael Schumacher, envolto em problemas com os pneus e o acerto do carro. Ao menos a equipe alemã confirmou que podia contar com seu outro novo recruta, Nico Rosberg, que deu os 3 únicos pódios à equipe.
É de se esperar que, tanto os problemas de desenvolvimento e projeto, quanto de adaptação – de Schumacher e na integração da ex-Brawn com a Mercedes – fiquem para trás em 2011. O problema é a distância considerável que separa os alemães da ponta. Mesmo lembrando que as flechas pararam de ser desenvolvidas em meados do ano, a diferença de quase 1s2 na classificação em Abu Dhabi é alarmante; na Inglaterra, quando o carro ainda recebia peças novas, a distância para a pole foi de 1s.


Não coincidentemente, alguns conceitos do carro do ano passado foram abandonados. A entrada de ar acima da cabeça do piloto agora tem um ar mais standard, o bico mais baixo foi levantado, ganhou a forma em V característica dos Red Bull e as entradas dos radiadores ficaram mais anguladas e triangulares. Seguindo a moda do paddock, a traseira é esguia e as suspensões, em formato pull rod. A aposta da Mercedes é num projeto que se aproxime dos conceitos adotados pela Red Bull, e na força de seu KERS, notavelmente o melhor e mais leve em 2009.

Turma de 2011: Williams

2 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 6º, 69 pontos
Melhor resultado: 4º (1 vez, com Barrichello)
O que levar para 2011: bom padrão de desenvolvimento
O que esquecer: dificuldades financeiras
Rubens Barrichello williams

No pique

Rubens Barrichello
São Paulo, Brasil, 23.05.1972
306 GPs
11 vitórias
Por que Barrichello: experiência, entusiasmo e conhecimento técnico
Em 2010: 10º, 47 pontos
O que levar para 2011: encaixou-se bem no modo de trabalhar da Williams
O que esquecer: más largadas

 

Pastor Maldonado williams

Tô pagando

 
Pastor Maldonado
Maracay, Venezuela, 09.03.1985
Estreia em 2010
Por que Maldonado: depois de anos de barbeiragens, parece que evoluiu ano passado, dominando especialmente o início do campeonato da GP2
Em 2010: campeão da GP2

 

Passar a Force India pelo mundial de construtores na última etapa do ano não é exatamente o que se espera de uma equipe que faturou 9 títulos de construtores e fez 6 campeões do mundo nos anos 1980 e 1990. Insistindo no caminho independente, sem parceria com grandes montadoras, a Williams vem em decadência de resultados e investimentos há pelo menos 6 anos. Tanto, que teve que apelar pelo dinheiro venezuelano de Pastor Maldonado para esta temporada, após perder patrocinadores importantes.

williams 2011 valencia

Ainda com pintura provisória, o carro pouco lembra seu antecessor

Nesse quadro pouco favorável, o jeito foi aproveitar as novas regras de 2011 para arriscar. O câmbio é o menor já produzido pela equipe e a suspensão usada foi a pull rod, como as com que a Red Bull trabalha desde 2009. O bico também chama a atenção, seguindo a tendência dos modelos altos adotados pelas outras equipes, mas terminando antes da asa dianteira.

Porém, parece que o maior segredo do carro está escondido na traseira, extremamente compacta e com um baixíssimo centro de gravidade. As equipes têm trabalhado muito nesse setor especialmente para acomodar melhor o pesado KERS sem colocar muita carga nos pneus traseiros e também para tentar diminuir o prejuízo em termos de downforce do banimento dos difusores duplos.

williams rear 2011

A traseira super slim da Williams

williams rear

Em outro ângulo

Falando em KERS, a Williams foi a única a produzir um dispositivo sem utilizar baterias para seu carregamento em 2009, num projeto que não chegou a ir para a pista, mas continua sendo desenvolvido para a indústria automobilística. Para esse ano, a equipe optou por desenvolver seu próprio modelo de maneira convencional.

Em relação aos pilotos, toda a confiança que a equipe pode depositar num trabalho consistente de Barrichello se transforma em dúvida quando o assunto é Maldonado. Ele mostrou na campanha pelo título da GP2 ano passado o que sabe, mas demorou 4 temporadas para chegar a esse nível de maturidade e contou com aquela que foi considerada a pior safra da categoria como concorrência. Tendo em vista que muita gente boa sofreu para se adaptar a essa F1 praticamente sem treinos, altos e baixos é o máximo que se pode esperar desse ano de estreia do venezuelano.

Turma de 2011: Red Bull

2 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 1º, 498 pontos
Melhor resultado: 1º (9 vezes, 5 com Vettel e 4 com Webber)
O que levar para 2011: o carro imbatível
O que esquecer: falta de confiabilidade e mau gerenciamento de pilotos
Sebastian Vettel

Nos ombros dos gigantes

Sebastian Vettel
Heppenheim, Alemanha, 03.07.1987
62 GPs
10 vitórias
Por que Vettel: capaz de proezas e deslizes incríveis, é um gênio amadurecendo a olhos vistos
Em 2010: campeão, 256 pontos
O que levar para 2011: as performances em classificação e a facilidade em vencer da ponta
O que esquecer: a dificuldade em abrir caminho no pelotão

Mark Webber

O outro

Mark Webber
Queanbeyan, 27.08.1976
232 GPs
Por que Webber: acostumado a lutar, promete ser uma pedra no sapato do companheiro campeão
Em 2010: 3º, 242 pontos
O que levar para 2011: a tranquilidade para liderar corridas
O que esquecer: o ar de “contra tudo e todos”

Em 2010, eles conseguiram perder pontos das maneiras mais inesperadas. Ora seus pilotos davam um encontrão em plena reta, ora um deles saía voando e fazia jus ao slogan da empresa, mas, quando tudo ia bem, era impossível segurar os Red Bull. Disparado o melhor carro do ano, chegou a colocar 1s no rival mais próximo na classificação da Hungria. A primeira reação da concorrência foi questionar, porém, se havia algo ilegal no RB6, nem a FIA encontrou. A solução foi copiar.

redbull 2011 launch

O mais novo da linhagem real que começou com o RB5

No entanto, em que pese alguns problemas com a confiabilidade – foram cerca de 60 pontos perdidos por quebras, só com Vettel – e trapalhadas de seus pilotos, não havia nada que as poderosas McLaren e Ferrari pudessem fazer: sob o comando do projetista Adrian Newey, eles estavam sempre um passo à frente.

E têm tudo para continuar ditando o ritmo em 2011. O RB7 apareceu com uma traseira absurdamente compacta e bem trabalhada. O carro é o único até agora que tem algo parecido à aleta de tubarão que tomou conta dos modelos nos últimos dois anos e comenta-se que seu sistema de escapamento seja ainda mais complexo que o da Renault, cuja saída parece ter sido trazida mais para a frente. Se nem todos os mistérios do RB6 foram desvendados em uma temporada toda, é difícil imaginar que um dia seja o suficiente para aprender muita coisa sobre o RB7. A boa notícia para o time nesse início dos treinos coletivos é a confiabilidade, algo incomum aos projetos recém-nascidos de Newey.

red bull launch 2011

A traseira enxuta, mas não anoréxica como a da Williams

red bull launch 2011

Carro já nasceu cheio de detalhes

O engenheiro, inclusive, reconheceu que, além de ter mais dificuldade que os rivais com o KERS, que não foi utilizado pela equipe em 2009 por questões de peso e aerodinâmica, ainda recebeu da Renault um equipamento mais pesado que da concorrência, algo que eles mesmos pretendem corrigir em Milton Keynes.

Além das saídas geniais de Newey, outra dinâmica a ser observada na equipe dos touros é entre os companheiros Vettel e Webber. Em teoria, o australiano não deveria ser páreo para o candidato a novo Schumacher mas, ajudado pela “moleza” que é guiar um Red Bull nesses dias, Mark chegou perto em 2010, o que causou uma mau gerenciada guerra interna. O braço austríaco, que é na prática quem manda, claramente apoia Vettel, fruto do programa de desenvolvimento de pilotos da empresa de latinhas. Por outro lado, Webber não é de ficar quieto. Caso o RB7 seja tão dominante quanto seu antecessor, a aposta por um tirar pontos do outro dentro da equipe é a única chance da concorrência.

Turma de 2011: Lotus

1 fev
Em 2010
Colocação/pontos: 10º, 0 pontos
Melhor resultado: 12º (1 vez, com Kovalainen)
O que levar para 2011: o bom padrão de desenvolvimento
O que esquecer: falta de confiabilidade

Cheio de gás

Heikki Kovalainen
Suomussalmi, Finlândia, 19.10.1981
71 GPs
1 vitória
Por que Kovalainen: levou o “título” de melhor dos nanicos em 2010
Em 2010: 20º, 0 pontos
O que levar para 2011: a regularidade e o entusiasmo com o projeto
O que esquecer: se envolveu em alguns acidentes

Passou da hora

Jarno Trulli
Pescara, Itália, 13.07.1974
238 GPs
1 vitória
Por que Truli: corrida defensiva é com ele mesmo
Em 2010: 21º, 0 pontos
O que levar para 2011: boas performances na classificação
O que esquecer: na verdade, tem é que lembrar de olhar as bandeiras azuis

Já virou lenda a história que o diretor técnico Mike Gascoyne conta de que, no início da Lotus Racing (agora devidamente renomeada como Team Lotus), havia tão poucos funcionários que, ao receber uma ligação, eles fingiam passá-la para outro departamento e atendiam com uma voz diferente. O resultado disso foi um carro extremamente conservador, cujo objetivo era terminar corridas. Foram vários abandonos – apenas somando problemas hidráulicos e de câmbio, foram 10 no ano – mas a evolução do carro provou que o corpo de engenheiros caminhava para o lugar certo. Aliás, todo o projeto da equipe, da aposta por pilotos experientes à relação construída com os fãs por meio das mídias sociais, mostra uma seriedade ímpar na turma do fundão do grid.

O objetivo desse ano é entrar no grande e competitivo bloco intermediário – que, por sua vez, cada vez mais se divide em três camadas, com Mercedes e Renault mais próximas do topo, Williams e Force Índia um pouco abaixo e Sauber e Toro Rosso nas rabeiras. Não se trata de uma meta simples, tendo em vista que, mesmo na última corrida de 2010, Trulli levou quase 1s7 do mais lento das equipes já estabelecidas. Se essa é a meta dentro das pistas, fora delas o time precisa, ou ganhar a luta judicial para poder usar o nome Lotus, ou apostar num plano B e fortalecer sua marca para ter investimentos suficientes para continuar na F1 no futuro.

O carro de 2011 tem duas importantes novidades: o motor Renault e, principalmente, câmbio e transmissão da Red Bull. A equipe, inclusive, deverá usar o simulador dos campeões mundiais em algumas oportunidades. Das “fotos” (na verdade, apenas imagens digitalizadas foram divulgadas) do lançamento, não dá para notar muita coisa, além do maior refinamento aerodinâmico, especialmente na asa dianteiro, em relação ao ano passado, e o bico mais alto. A maior surpresa fica por conta da entrada de ar acima da cabeça do piloto ser nos moldes da usada pela Mercedes em 2010, algo que até o time alemão abandonou para esse ano.

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